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Economia

Lucro da Vale cai 43% no segundo trimestre, para R$ 6,8 bi, com guerra e alta de combustíveis

Pelo desempenho, a mineradora anunciou a distribuição de R$ 8,6 bilhões em dividendos a acionistas.

Redação Jornal de Brasília

30/07/2026 20h27

VALE

Foto: Reprodução

NICOLA PAMPLONA
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS)

A Vale registrou lucro de R$ 6,8 bilhões no segundo trimestre, uma queda de 43% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado foi impactado por alta nos custos e resultados negativos com a variação cambial.


Pelo desempenho, a mineradora anunciou a distribuição de R$ 8,6 bilhões em dividendos a acionistas. A empresa anunciou ainda um novo programa de recompra de ações, que pode adquirir até 2,3% do capital social.


Em comunicado distribuído nesta quinta-feira (30), a Vale afirmou que o resultado mostra “resiliência diante de um cenário global mais desafiador, caracterizado por preços mais elevados do petróleo e maior volatilidade cambial”.


Segundo a companhia, o resultado do trimestre foi impactado por aumento de custos, principalmente de combustível de navegação, que acompanhou a disparada da cotação internacional do petróleo após o início da guerra no Irã.


O custo de entrega do minério de ferro subiu 18% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior devido ao frete mais caro. Com expectativa de petróleo caro por mais tempo, a empresa elevou suas projeções de custos para o ano.


Os efeitos negativos ofuscaram um trimestre de bom desempenho operacional. No período, a Vale atingiu o maior volume de produção de minério de ferro para um segundo trimestre desde 2018, com 84,3 milhões de toneladas, com recorde de produção no projeto S11D, no Pará.


A produção de metais de cobre e níquel também cresceu: 6% e 4%, respectivamente, para 98,4 mil e 42 mil toneladas. Foi o melhor volume de produção de cobre para um segundo semestre desde 2017.


Com maior produção e preços estáveis para o minério, a receita da companhia cresceu 6% sobre o segundo trimestre do ano anterior, para R$ 53 bilhões. O Ebitda, que mede a geração de caixa, porém, caiu 3%, para R$ 18,5 bilhões.


Desconsiderando fatores extraordinários, o Ebitda teria crescido 6%, para R$ 20,5 bilhões. O lucro teria caído menos,35%, para R$ 7,8 bilhões.


A mineradora vive um momento turbulento, que culminou com a renúncia do presidente e do vice-presidente de seu conselho de administração em julho. O primeiro, Daniel Stieler, saiu após pressão da Previ; o segundo, Marcelo Gasparino, após acusação de vazamento de informações.


As duas renúncias são alvos de investigação na CVM (Comissão de Valores Mobiliários). No caso de Stieler, a autarquia apura a concessão de um inédito pacote financeiro a Stieler após a renúncia. Não há, no estatuto da companhia, previsão de benefício pós-emprego para conselheiros.


A Vale justificou que Stieler tinha dedicação exclusiva e acesso a informações sensíveis. O pacote teria o objetivo de garantir um período de confidencialidade, não competição e não difamação. Como presidente do conselho, ele ganhava R$ 267 mil por mês.


Gasparino foi crítico da pressão da Previ sobre Stieler e questionou a candidatura do novo presidente do conselho, Manuel Lino Oliveira, conhecido como Ollie. Logo após a eleição do novo chefe, o conselho propôs sua destituição do cargo. Ele nega ter divulgado informações sigilosas.


Nesta quinta, o conselho da Vale elegeu um novo vice-presidente, Reinaldo Duarte Castanheira Filho. Para liderar os conselheiros independentes, função antes ocupada por Ollie, foi eleito o conselheiro Wilfred Theodoor Bruijn, que pautou a destituição de Gasparino quando ocupou a presidência interina.

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