IDIANA TOMAZELL
FOLHAPRESS
As empresas estatais federais tiveram um lucro de R$ 136,3 bilhões até o terceiro trimestre de 2025, um aumento nominal de 22,5% em relação a igual período de 2024, informou nesta quinta-feira (29) o Ministério da Gestão e Inovação, responsável pela supervisão das companhias controladas pela União.
O desempenho positivo, porém, não é homogêneo entre as empresas. Vinte das 39 que já apresentaram seus resultados até o terceiro trimestre tiveram piora no período -ou seja, um prejuízo mais expressivo ou um lucro menor do que no ano anterior.
Uma das deteriorações mais significativas veio dos Correios, que acumularam um prejuízo de R$ 6,1 bilhões nos primeiros nove meses de 2025, quase o triplo do observado no ano anterior (resultado negativo de R$ 2,1 bilhões).
No fim do ano passado, a empresa contratou um empréstimo de R$ 12 bilhões, com garantia do Tesouro Nacional (que honrará os pagamentos em caso de inadimplência), atrelado a um plano de reestruturação.
A estatal prevê reduzir despesas com pessoal e custeio e busca aumentar receitas por meio de novos contratos e parcerias.
O Banco do Brasil também teve uma piora em seu resultado, embora tenha se mantido no azul. A instituição teve lucro de R$ 12,8 bilhões até o terceiro trimestre de 2025, contra um desempenho positivo de R$ 26,7 bilhões em igual período de 2024.
A própria instituição já afirmou que precisou fazer provisões em seu balanço devido ao aumento na inadimplência de contratos, sobretudo os de crédito rural, o que afetou o resultado do banco. Mais recentemente, o governo aprovou novas condições de renegociação desses créditos, o que deve propiciar a melhora do resultado do BB.
Também estão entre as estatais que tiveram deterioração no resultado o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), a ENBPar (estatal que detém o controle da Eletronuclear e da fatia brasileira na usina hidrelétrica de Itaipu), a Casa da Moeda, o Banco da Amazônia e a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento).
Algumas delas, como ENBPar e Casa da Moeda, figuram na lista do Tesouro Nacional de empresas que apresentam frágil situação financeira e podem precisar de um aporte da União.
Outras 19 estatais tiveram melhora em seu resultado, puxadas pelo grupo Petrobras, cujo lucro de R$ 94,6 bilhões até o terceiro trimestre de 2025 foi 75% maior do que o observado em igual período de 2024.
O grupo da Caixa Econômica Federal também teve melhora expressiva, com saldo positivo de R$ 13,5 bilhões nos primeiros nove meses do ano passado, contra lucro de R$ 9 bilhões no exercício anterior.
A Infraero, por sua vez, exibiu melhora ao reduzir o prejuízo, que era de R$ 214,5 milhões até o terceiro trimestre de 2024 e caiu a R$ 19,8 milhões em igual período do ano passado. Na visão do governo, porém, a operação da empresa é lucrativa, uma vez que os números de 2025 estão sendo afetados pelo PDV (programa de demissão voluntária) lançado pela companhia.
Além disso, a Infraero não é dona dos aeroportos em que opera, o que a obriga a fazer o lançamento contábil de seus investimentos em um único ano, em vez de diluir esse custo em vários anos, como costuma ocorrer na prática de depreciação.
Os dados foram divulgados pelo MGI em um boletim trimestral sobre as estatais, cuja publicação havia sido interrompida no fim de 2022, mas foi retomada após reivindicações de agentes de fora do governo.
“O boletim trimestral representa um avanço ao consolidar trimestralmente as informações que já estão regularmente presentes no Panorama das Estatais [painel de informações do governo] e ao trazer um olhar agregado do conjunto das estatais”, diz o MGI.
O governo federal possui 44 estatais, das quais 17 são dependentes do Tesouro Nacional, isto é, têm parte ou toda a despesa corrente (como salários e custeio administrativo) financiada com recursos do Orçamento.
Segundo dados do boletim, as estatais dependentes receberam uma subvenção de R$ 20,8 bilhões no acumulado dos nove meses até setembro de 2025, um valor 14,2% maior, em termos nominais, do que em igual período de 2024.
As demais empresas são classificadas como não dependentes, pois não demandam recursos do Tesouro Nacional para tocar suas atividades. Algumas delas geram receitas para a União por meio do pagamento de dividendos. Essa arrecadação, no entanto, foi menor no ano passado. No acumulado de nove meses, os repasses somaram R$ 33 bilhões, 17,8% abaixo do verificado em igual período de 2024.
O faturamento total das estatais ficou em R$ 1,01 trilhão no terceiro trimestre de 2025, uma alta nominal de 6,3% em relação a igual período de 2024.
Elas também ampliaram investimentos. Segundo o MGI, as 44 empresas investiram R$ 86,4 até o terceiro trimestre de 2025, acima dos R$ 64,4 bilhões observados em igual período de 2024, já descontado o efeito da inflação.
Dados preliminares do ano fechado de 2025 indicam que o investimento total das estatais ficou em R$ 111 bilhões, acima dos R$ 100,8 bilhões observados no exercício anterior.