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Economia

Liquidação de instituições do Master não gerou efeito dominó no sistema, diz BC

Ata do Comitê de Estabilidade Financeira destaca resiliência do setor após ação do Fundo Garantidor de Créditos e aponta riscos no mercado de capitais

Redação Jornal de Brasília

19/03/2026 12h36

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

NATHALIA GARCIA
FOLHAPRESS

O Comef (Comitê de Estabilidade Financeira) do Banco Central afirmou nesta quinta-feira (19), em ata da reunião realizada nos dias 11 e 12 de março, que a liquidação de instituições do grupo Master não gerou efeito em cadeia no sistema financeiro.

O colegiado do BC ressaltou a capacidade de absorção de choques e a resiliência do sistema financeiro depois de os mecanismos de proteção associados ao FGC (Fundo Garantidor de Créditos) terem sido acionados.

Na última terça (17), o regulador decretou a liquidação do Banco Master Múltiplo, que desde novembro estava submetido ao regime de administração especial temporária.

Essa foi a última instituição do conglomerado Master a ser liquidada. No ano passado, o BC decretou a liquidação do Banco Master (líder do grupo), do Banco Master de Investimento, do Banco Letsbank, da Master Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários.

O FGC oferece proteção a certos tipos de investimento, como CDBs (Certificado de Depósitos Bancários), até o valor de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ. Após prejuízos relacionados ao caso Master, a conta de valores a serem ressarcidos pelo fundo ultrapassou R$ 50 bilhões.

Na avaliação do Comef, ajustes nas regras feitos em 2023 e 2025 contribuíram para reduzir o número de instituições com elevada dependência de funding (captação de recursos) garantido pelo mecanismo.

Para recomposição do caixa do FGC depois das perdas com o Master, o BC divulgou no início do mês uma resolução permitindo o uso dos depósitos compulsórios para bancar a antecipação das contribuições, atendendo a um pleito dos bancos. A autoridade monetária estima que a medida possa resultar na recomposição de R$ 30 bilhões em 2026.

Na ata, o colegiado do BC também ressaltou que, no mercado de capitais, a maior utilização “de estruturas que envolvem múltiplas camadas de fundos de investimento pode dificultar a adequada avaliação de riscos.”

As investigações conduzidas pela Polícia Federal indicam que Daniel Vorcaro, dono do Master, teria transferido recursos do banco para o próprio bolso por meio de uma sofisticada engenharia financeira envolvendo a venda de CDBs (Certificados de Depósito Bancário), falsos empréstimos a empresas controladas por laranjas e fundos de investimento.

O ex-banqueiro foi preso pela segunda vez neste mês, em nova fase da operação policial Compliance Zero, que também atingiu dois servidores do BC.

O grupo Master detinha 0,57% do ativo total e 0,55% das captações totais do sistema financeiro nacional, segundo o BC. O conglomerado era classificado pelo regulador como de crédito diversificado, porte pequeno e enquadrado no segmento S3 da regulação prudencial -de 0,1% a 1% do PIB (Produto Interno Bruto).

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