MARCOS HERMANSON E CAIO SPECHOTO
FOLHAPRESS
O governo federal anunciou nesta sexta-feira (12) uma nova linha de crédito voltada para aquisição de motos e bicicletas elétricas por entregadores, com juro de 12,5% ao ano, carência de dois meses e valor médio de R$ 20 mil por CPF. O prazo é de 48 meses.
Entregadores cadastrados nas plataformas ou com registro em carteira há pelo menos seis meses poderão participar o trabalhador de aplicativo também precisa ter completado 100 corridas. O registro de interessados no programa deve começar ainda nesta sexta, e a linha começa a rodar no dia 13 de julho.
O governo não divulgou o valor total do financiamento da linha, que terá recursos do FIIS (Fundo de Investimento em Infraestrutura Social), mas a reportagem apurou que a linha de crédito deve ter cerca de R$ 4 bilhões. Os empréstimos terão garantia do FGO (Fundo de Garantia de Operações).
“O governo está assumindo o Fundo Garantidor para que ninguém deixe de emprestar dinheiro para vocês comprarem moto por falta de garantia. O governo é a garantia de vocês”, afirmou o presidente Lula (PT) durante o evento desta sexta-feira no Palácio do Planalto.
Braço do programa Move Brasil, a nova linha integra um pacote de bondades lançadas pelo governo federal em ano eleitoral, incluindo crédito para taxistas, motoristas de aplicativo, caminhoneiros, agronegócio, indústria e empresas exportadoras.
Assim como na linha para motoristas de aplicativo, os juros serão menores para entregadoras mulheres, com 11,5% ao ano. Também está prevista uma linha de financiamento para pessoas jurídicas, para expansão de infraestrutura de serviço de troca de bateria e sistemas de recarga de motos elétricas.
Embora o programa permita adquirir motos, motonetas e ciclomotores, o foco do governo ao elaborar o programa eram as motos de 160 cilindradas, que hoje respondem pela maior parte do mercado de motocicletas no Brasil, segundo apurou a reportagem.
O governo defende que o programa vai acelerar a descarbonização da frota de motocicletas no Brasil e aumentar a produtividade do segmento de entregas.
Os trabalhadores de aplicativo ganharam destaque nos últimos anos, com aumento nas discussões sobre as condições de trabalho da categoria, que não tem proteção previdenciária, férias remuneradas e limite de jornada.
Um projeto de lei que regulamenta esses temas está travado no Congresso por divergências entre o governo e o relator, enquanto a esquerda busca se aproximar do segmento. “Enquanto tinha gente que a única coisa que fazia pelos motoqueiros era ficar desfilando em motociata para fazer gracinha na internet, o governo do presidente Lula entrega”, afirmou o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), no evento desta sexta-feira. “O presidente dos motocas se chama Luiz Inácio Lula da Silva”, completou o ministro.
O lançamento da linha foi adiantado pela Folha de S.Paulo, e depois confirmado pela ministra-chefe da Casa Civil, Miriam Belchior, na reunião ministerial do último dia 3. “Temos uma próxima entrega prevista, com essa mesma lógica, que é o Move Motos, com essa mesma lógica de veículos, financiamento para os motociclistas de aplicativos”, disse.
Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o Brasil tinha 1,7 milhão de pessoas que trabalhavam por meio de plataformas digitais e aplicativos de serviços em 2024. Desse total, 58,3% (ou 964 mil) exerciam o trabalho principal por meio de aplicativos de transporte, incluindo os de táxi. Outros 29,3% (ou 485 mil) eram trabalhadores de aplicativos de entrega.
Linha de crédito de Lula para entregador atenderá moto e bike elétrica e terá juro anual de 12,5%
“O governo está assumindo o Fundo Garantidor para que ninguém deixe de emprestar dinheiro para vocês comprarem moto por falta de garantia. O governo é a garantia de vocês”, afirmou o presidente Lula
Presidente Lula no lançamento do programa “Move Brasil”, destinado a motoristas de aplicativo e taxistas. Foto: Ricardo Stuckert / PR