Menu
Economia

Justiça de SP aprova recuperação da Raízen com apoio de 81,6% dos credores

Plano prevê série de medidas para reestruturar uma dívida de R$ 61,4 bilhões

Redação Jornal de Brasília

30/07/2026 18h33

Raízen

Foto: Tomas Cuesta / Bloomberg

NICOLA PAMPLONA
FOLHAPRESS


A Justiça de São Paulo homologou nesta quinta-feira (30) o plano de recuperação extrajudicial da Raízen, que contou com apoio de 81,6% dos credores da companhia. O plano prevê uma série de medidas para reestruturar uma dívida de R$ 61,4 bilhões.

Controlada pela Shell e pela Cosan, do empresário Rubens Ometto, a empresa sofria os efeitos de um acelerado processo de expansão e investimento em novas tecnologias, com algumas apostas frustradas, como a entrada no segmento de varejo.

Em comunicado divulgado nesta quinta, a empresa destaca que todos os detentores de dívidas quirografárias terão que aderir a uma das duas opções de conversão de dívida, conforme prevê a legislação.

O plano envolve a conversão de parte das dívidas dos credores em participação no negócio, por meio de ações. Cerca de 45% da dívida desses credores será transformada em participação acionária, no valor de R$ 0,25 por ação.

Os outros 55% serão transformados em novos títulos de dívida, por meio de substituição, refinanciamento ou aditamento. A Shell se comprometeu a entrar com R$ 3,5 bilhões e Ometto ainda estuda entrar com R$ 500 milhões.

Em paralelo, a Raízen realizará um programa de desinvestimentos e vai separar o negócio de combustíveis da produção de etanol e cana-de-açúcar, fundidas em 2011, quando a Shell se juntou à Cosan para criar a empresa.

A homologação do plano, disse a empresa, “reforça a confiança dos stakeholders na solução consensual e estruturante do endividamento do Grupo Raízen, conciliando suas necessidades de liquidez de curto prazo com uma estrutura de capital adequada e sustentável no longo prazo”.

Envolvida em alguns dos maiores processos de reestruturação financeira do país atualmente, a gestora IG4 negociava entrar também na Raízen, por meio da compra de créditos. A empresa, porém, ainda não se manifestou sobre o assunto.

No quarto trimestre da safra 2025/26, entre janeiro e março deste ano, a empresa registrou prejuízo de R$ 7,3 bilhões, quase o triplo na comparação com o mesmo período na safra 2024/25. Se considerado o ano-safra (abril de 2025 a março de 2026), o prejuízo acumulado foi de R$ 27,1 bilhões.

A dívida líquida da companhia fechou o período em R$ 58,2 bilhões no quarto trimestre da safra 2025/26, montante 69,9% acima do registrado anteriormente. Com isso, a empresa fechou o ano com R$ 58,2 bilhões de endividamento líquido.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado