MATHEUS DOS SANTOS
FOLHAPRESS
Juros futuros apresentam alta nesta segunda-feira (2). Segundo economistas consultados pela reportagem, a possível indicação de Guilherme Mello à diretoria do BC (Banco Central) é um dos fatores que pesam sobre o comportamento das taxas.
Por volta das 15h30, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2027 oscilava de 13,474%, no ajuste anterior, para 13,465%.
A partir de 2028, no entanto, o movimento dos futuros se inverte. O DI de janeiro de 2028 subia de 12,69% para 12,72%; o de janeiro de 2029 avançava de 12,69% para 12,76%; e o de janeiro de 2031 saltava de 13,04% para 13,16%. No vencimento de 2035, a taxa passava de 13,30% para 13,40%.
Segundo Gustavo Sung, economista-chefe da Sung Research, o nome de Mello gera ruídos no mercado e, consequentemente, um prêmio maior de risco. “Isso está muito ligado a declarações passadas sobre o patamar dos juros, com ele defendendo taxas mais baixas. Existe a leitura de que ele poderia pressionar por uma Selic menor, eventualmente se tornando uma voz dissidente”, afirma.
Sung acrescenta que todos os indicados do governo para a autarquia têm adotado uma postura técnica no combate à inflação, mas ressalta que será necessário acompanhar a atuação de Mello para avaliar seu comportamento.
Para Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, o mercado observa uma queima de prêmio em 2027 e um aumento nas curvas mais longas, o que indica expectativa de menos juros no curto prazo e mais juros no longo.
“O risco maior é que Guilherme Mello represente um voto sistematicamente divergente e que, sobretudo em um eventual segundo mandato do presidente Lula, esse tipo de indicação passe a se repetir. Isso poderia alterar gradualmente a composição do Copom e abrir espaço para uma política monetária mais leniente com a inflação”, diz.
Como mostrou a Folha de S. Paulo, a eventual indicação de Mello pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva de Mello é o assunto mais comentado na manhã desta segunda-feira (2) nas conhecidas “morning calls” (reuniões matinais) da Faria Lima, realizadas pelas principais instituições financeiras.
A leitura é de que Lula, com a indicação, passaria um sinal de interferência política do PT num dos momentos mais difíceis para o BC com a crise do Master e início do processo de queda da taxa Selic. A queda dos juros é esperada para a reunião de março do Copom (Comitê de Política Monetária), após um ciclo de aperto monetário que levou os juros para o patamar de 15% ao ano.
O nome de Mello tem apoio do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, de acordo com relatos obtidos pela Folha de S. Paulo. O economista é o atual secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda e foi assessor econômico do PT na campanha presidencial de Haddad em 2018.
Mello foi também um dos formuladores do plano econômico da campanha vitoriosa de Lula em 2022, como coordenador do grupo de economistas do PT. Ele é visto como um economista de bom trato e diálogo, mas com viés heterodoxo, e foi um dos críticos da elevação dos juros para 15% e da demora do BC em iniciar o ciclo de cortes, previsto para 2025.