O jornal britânico “Financial Times” destaca em sua edição de hoje a força das multinacionais latino-americanas e sua liderança global em certos campos de atuação, symptoms incluindo entre elas a brasileira Companhia Vale do Rio Doce.
A Vale é citada como a maior produtora mundial de minério de ferro e há comentários sobre sua diversificação nos negócios durante os últimos anos, purchase com destaque para a possível compra da companhia suíça Xstrata, search o que transformaria a empresa brasileira no maior grupo minerador do mundo.
Segundo o “Financial Times”, o mais surpreendente da transação não é apenas sua magnitude, mas o fato de que, no meio das atuais turbulências dos mercados financeiros e de crédito, a Vale tenha obtido facilmente um empréstimo de US$ 50 bilhões para financiar a operação.
Mesmo se a transação fracassar, a Vale continuará crescendo, e tem projetos de investir US$ 59 bilhões nos próximos cinco anos no Brasil e no exterior.
Para Javier Santiso, chefe do centro de desenvolvimento da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico, o que ocorre “é representativo de uma transformação estrutural muito maior e que tem profundas implicações. O centro é menos central do que era, e a periferia é menos periférica”.
Nos últimos anos, as gigantes latino-americanas também se dedicaram a comprar empresas estrangeiras. A Vale pagou US$ 18 bilhões em 2006 pela Inco, firma canadense de exploração de níquel.
Em 2006, nove empresas brasileiras ou mexicanas figuravam na lista das 500 principais companhias do mundo publicada pela revista americana “Fortune”, na qual também apareciam doze empresas sul-coreanas, seis indianas e cinco russas.
Mais de 40 companhias do Brasil, México e Chile, frente a 30 da Índia, são parte de uma lista mais ampla de duas mil empresas publicada pela mesma revista.
Segundo o Boston Consulting Group, a Vale é a grande empresa que gera mais lucros para seus acionistas entre todas as outras no mundo: uma média de 64,3% anual entre 2002 e 2007, frente a 62% da Apple, 31,2% da BHP Billiton e só 12,8% da Toyota, por exemplo.
De acordo com o “Financial Times”, especialistas atribuem esse sucesso à melhora das perspectivas econômicas latino-americanas, o que permite às empresas da região conseguir créditos muito mais baratos.
O jornal lembra que o Brasil conseguiu estabilizar suas finanças e reduzir a inflação após sucessivos Governos que praticaram uma política fiscal e monetária muito prudente depois de o país ter ficado a ponto de quebrar entre 1999 e 2002.
Desde janeiro, o Brasil se tornou um credor internacional líquido com reservas de US$ 190 bilhões, algo que significa que sua dívida externa, tanto pública como privada, está mais do que compensada.
Durante os anos 1980 e 1990, a maioria das empresas multinacionais latino-americanas pagaram muito mais do que seus rivais de outros países para financiar sua expansão, mas esses custos se reduziram fortemente desde então.
Graças a tudo isso, as empresas latino-americanas puderam aproveitar o fato de que suas margens operacionais são freqüentemente mais atrativas do que as de outras companhias européias ou americanas.
Cristiano Souza, do Dynamo, um fundo de hedge sediado no Rio de Janeiro, dá o exemplo das fábricas de celulose brasileiras, que operam com uma margem Ebitda – quantidade de rendimentos de uma empresa antes de impostos, juros, débitos e amortizações – de 40%, contra 15% de suas concorrentes escandinavas.