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Economia

J&F, dos irmãos Batista, fecha acordo para comprar fabricante de material bélico Avibras

Transação ainda precisa ser aprovada pelo Cade e prevê transferência de todas as ações da controladora da Avibras

Redação Jornal de Brasília

21/08/2026 17h41

joesley batista

Foto: Divulgação

MAELI PRADO
FOLHAPRESS

Considerada estratégica pelo governo, a fabricante de material bélico Avibras Aeroco está sendo vendida para a Globe Investimentos, empresa da holding J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, da JBS.

De acordo com a empresa, o fundo de investimentos Brasil Crédito, que é antigo credor e atual dono da companhia, submeteu a transação à análise do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).

“Caso seja aprovada e desde que sejam concluídos os trâmites necessários para o fechamento, a transação resultará na venda da totalidade das ações da Nova AVB S.A., controladora integral da Avibras Aeroco, para a Globe Investimentos S.A. (“Globe”), empresa do Grupo J&F”, afirmou a Avibras em nota.

A J&F afirmou que assinou contrato para adquirir a totalidade da Avibras. “A transação tem como objetivo dar sustentação à recente retomada das operações da Avibras, preservar sua capacidade tecnológica e industrial e criar as condições necessárias para que a companhia volte a crescer de forma sustentável nos mercados brasileiro e internacional”, afirmou em nota.

A holding disse ainda que o negócio integra um portfólio de investimentos pessoais da família Batista e que preserva o controle nacional de uma companhia estratégica para a defesa do país. “Seu portfólio inclui o Sistema de Artilharia Astros, uma das soluções brasileiras de defesa de maior reconhecimento internacional, além de mísseis, foguetes, veículos especiais e soluções para o setor espacial civil.”

Em crise financeira, a Avibras entrou em recuperação judicial em março de 2022 e passou cerca de três anos parada depois que funcionários iniciaram uma greve por falta de pagamento.

A Avibras Aeroco é uma empresa que foi criada em outubro de 2025 para assumir ativos estratégicos e o portfólio tecnológico da Avibras Indústria Aeroespacial, que permanece em recuperação judicial.

Em maio deste ano, a empresa voltou a operar. A companhia conseguiu neste ano R$ 300 milhões de investidores brasileiros, entre eles Joesley Batista, para retomar a produção de mísseis.

Antes de desligar as máquinas de sua fábrica, a Avibras tinha como principais clientes países como Árabia Saudita, Catar, Indonésia e Malásia. E, no passado, forneceu equipamentos para as guerras Irã-Iraque e do Golfo, ocorridas nas décadas de 1980 e 1990.

Companhia privada, é vista como estratégica pelo governo. Guilherme Boulos (PSOL), hoje ministro-chefe da Secretaria Geral da República, é um dos que defendem abertamente a estatização da companhia, e criou um projeto de lei com essa finalidade. Já o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, manteve-se a par das negociações com representantes da empresa e do sindicato de trabalhadores para auxiliar na retomada da Avibras.

No mês passado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou a fábrica da companhia em Jacareí, no interior de São Paulo, dois meses após a retomada das atividades da empresa.

Na ocasião, Lula defendeu mais investimentos nas Forças Armadas brasileiras “para não deixar ninguém meter o nariz no nosso país”. “Eu quero as Forças Armadas bem preparadas, bem treinadas, com soldados suficientes para tomar conta desse país”, disse o presidente no evento.

O presidente afirmou ainda estar feliz pelos trabalhadores da Avibras, que firmaram um acordo com a empresa para pôr fim a uma greve que durou anos e paralisou a operação da companhia.
Um acordo assinado entre o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e a Avibras determina o pagamento da dívida trabalhista em forma de indenização social. O débito está acumulado desde 2022 e soma R$ 230 milhões, segundo o sindicato.

A Avibras foi fundada em 1961 por engenheiros do ITA e, após a criação da Embraer em 1969, teve de se reinventar e se tornou desenvolvedora de tecnologia e equipamentos militares, sob a liderança do fundador João Verdi Carvalho Leite. Depois de sua morte em 2008, Sami Hassuani assumiu a presidência, ampliou a atuação internacional e incluiu a empresa no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) com a linha Astros 2020.

A partir de 2016, o comando passou ao filho do fundador, João Brasil Carvalho Leite. A pandemia derrubou a demanda e forçou a empresa a buscar fusões: desde 2022 houve negociações com grupos da Austrália, Brasil, Catar, China e Arábia Saudita, além de um consórcio liderado pela Brasilinvest -mas nenhuma se concretizou.

Em 2025, a Brasil Crédito tornou-se controladora ao comprar a dívida de um antigo acionista indonésio, em acordo com João Brasil. A operação foi contestada pelo Safra, que a classificou como ilícita, e pelos bancos Fibra e Sofisa, mas o Tribunal de Justiça de São Paulo rejeitou os recursos.

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