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Economia

Irmãos Batista dizem ao Cade que compra da Avibras é entrada em defesa nacional

Segundo o processo no Cade, os principais negócios da Avibras que interessam aos irmãos Batista são as soluções de defesa

Redação Jornal de Brasília

22/08/2026 16h47

irmãos batista

Foto: Reprodução

FERNANDA BRIGATTI
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

O Grupo J&F, dos irmãos Wesley e Joesley Batista, disse ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) que vê na compra da Avibras Aeroco a oportunidade de ingressar nos setores de defesa nacional e aeroespacial. Segundo a empresa, a operação contribuiria “para a reestruturação e para o fortalecimento dessas atividades no Brasil”.

No pedido enviado ao órgão de defesa concorrencial, a empresa pede que a análise do negócio ocorra pelo chamado rito sumário, quando a análise é simplificada e, por isso, a conclusão, mais rápida.

“A operação é simples e incapaz de produzir efeitos concorrenciais, destacando-se a ausência de sobreposição horizontal e integração vertical entre as atividades das requerentes nos mercados relevantes envolvidos”, afirmam.

Segundo os advogados do grupo e da Avibras, nenhuma empresa da J&F detém participação igual ou superior a 10% no capital social de qualquer outra empresa no Brasil que seja relacionada ao mercado aeroespacial ou de defesa alvo no negócio.

A compra da Avibras será feita por meio da Globe Investimentos, family office dos irmãos Batista que não integra o conglomerado J&F, do qual fazem parte empresas como a JBS, de carnes, a Âmbar Energia, a Eldorado Papel e Celulose e o banco Original.

A J&F, no entanto é citada no pedido, bem como são citados todos os outros atos de concentração (como são chamados os processos de aquisição enviados para análise do conselho) notificados por ela nos últimos cinco anos e suas demonstrações financeiras mais recentes.

Segundo o processo no Cade, os principais negócios da Avibras que interessam aos irmãos Batista são as soluções de defesa, como o sistema de artilharia Astros. Também estão na lista mísseis, foguetes, veículos espaciais e soluções para o setor espacial civil, como propulsores e foguetes de treinamento.

Em crise financeira, a Avibras entrou em recuperação judicial em março de 2022 e passou cerca de três anos parada depois que funcionários iniciaram uma greve por falta de pagamento.

A Avibras Aeroco é uma empresa criada em outubro de 2025 para assumir ativos estratégicos e o portfólio tecnológico da Avibras Indústria Aeroespacial, que permanece em recuperação judicial. Em 2025, a empresa não teve qualquer faturamento.

A empresa voltou a operar em maio deste ano, após ter conseguido R$ 300 milhões com investidores brasileiros, entre eles Joesley Batista, para retomar a produção de mísseis.

O family office dos irmãos Batista afirmou em nota que “os empresários possuem longo histórico na recuperação e transformação de empresas com grande potencial e que se encontram em momentos desafiadores.”

Antes de desligar as máquinas de sua fábrica, a Avibras tinha como principais clientes países como Arábia Saudita, Catar, Indonésia e Malásia. E, no passado, forneceu equipamentos para as guerras Irã-Iraque e do Golfo, ocorridas nas décadas de 1980 e 1990.

Companhia privada, é vista como estratégica pelo governo. No mês passado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou a fábrica da companhia em Jacareí, no interior de São Paulo, dois meses após a retomada das atividades da empresa.

Na ocasião, Lula defendeu mais investimentos nas Forças Armadas brasileiras “para não deixar ninguém meter o nariz no nosso país”. “Eu quero as Forças Armadas bem preparadas, bem treinadas, com soldados suficientes para tomar conta desse país”, disse o presidente no evento.

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