O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) melhorou sua previsão do crescimento do país em 2007, store mas também revisou para cima seu cálculo para a inflação este ano.
Em seu boletim de conjuntura trimestral, divulgado esta terça-feira, o Ipea, elevou sua previsão para o crescimento da economia do Brasil em 2007, dos 4,3% calculados em junho para 4,5% este mês.
Quanto ao crescimento de 2008, a previsão também foi melhorada, dos 4,4% calculados em junho para 4,5% previstos para setembro.
Por outro lado, o Ipea elevou sua previsão para a inflação de 2007 e 2008.
A previsão agora é de que o Brasil fechará o ano com uma inflação de 4%, frente aos 3,4% que eram calculados em junho, e que esse índice chegará a 4,3% no ano que vem, diante dos 4% calculados em junho.
Em ambos os casos, a inflação ficará abaixo da meta fixada pelo Governo para 2007 e 2008, de 4,5%, com uma margem de oscilação de dois pontos percentuais para cima e para baixo.
O novo boletim de conjuntura foi divulgado uma semana depois que o próprio Governo informou que a economia brasileira cresceu 4,9% no primeiro semestre do ano.
Apesar da previsão mais conservadora do Ipea, o Governo confia que o Brasil conseguirá este ano um crescimento de 5%, frente a expansão de 3,7% do ano passado.
Há dez dias, o Governo admitiu que a taxa de inflação vem subindo a um ritmo superior ao previsto, e que o índice em agosto (0,47%), foi quase dez vezes superior ao do mesmo mês do ano passado (0,05%), e o dobro do de julho (0,24%).
Em seu boletim de conjuntura, o Ipea atribuiu sua decisão de melhorar a previsão de crescimento à expectativa de que os investimentos crescerão este ano mais do que o previsto (10%, frente aos 9% calculados em junho), assim como ao consumo (6,2%, perante os 5,7% calculados em junho).
Em seu relatório, o organismo disse que “manteve a avaliação de que a economia continuará a rota de crescimento iniciada em 2004”, mas alertou sobre “a necessidade de uma política monetária cautelosa, perante o recente aumento da inflação e a importância que o crescimento dos gastos públicos sejam contidos no futuro, perante a expansão verificada em 2006 e 2007.
Segundo o Instituto, as atuais turbulências externas provocadas pela crise no mercado de créditos imobiliários nos Estados Unidos dificilmente provocarão problemas no Brasil.
“A elevada volatilidade observada nos mercados internacionais em agosto, e as expressivas perdas sofridas por segmentos específicos do mercado financeiro em diversos países encontraram o Brasil em condições muito melhores que as verificadas em crises anteriores”, diz o boletim.
“A redução substancial da dívida externa líquida, o virtual desaparecimento dos títulos de dívida interna indexados à taxa de câmbio e a expressiva acumulação de reservas operaram como uma espécie de seguro, que diminuiu muito a exposição do país às crises externas”, acrescenta.
Apesar disso, o Instituto considera recomendável a continuidade do processo de redução das taxas internas de juros, uma possível pressão sobre a mudança para que o real não se mantenha tão valorizado como esteve em agosto, e um ajuste para impedir que a economia siga crescendo a taxas superiores a seu potencial.
Em seu boletim, o Instituto prevê que a taxa básica de juros chegará no final do ano a 11,1%, e já não aos 10,7% previstos em junho, e que a taxa de câmbio média no último trimestre será de R$ 1,95 por dólar, abaixo dos R$ 1,99 por dólar calculados em junho.