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Economia

INSS suspende novos consignados do C6 e cobra devolução de R$ 300 milhões

Na administração especial, as atividades da instituição seguem em operação, mas os dirigentes perdem seus mandatos e são substituídos por pessoa jurídica especializada, com plenos poderes de gestão

Redação Jornal de Brasília

17/03/2026 11h11

Foto: José Cruz/Agência Brasil

NATHALIA GARCIA
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

O Banco Central decretou nesta terça-feira (17) a liquidação do Banco Master Múltiplo, que desde 18 de novembro estava submetido ao regime de administração especial temporária. A instituição pertencia ao conglomerado de Daniel Vorcaro, preso preventivamente desde 4 de março.

Na administração especial, as atividades da instituição seguem em operação, mas os dirigentes perdem seus mandatos e são substituídos por pessoa jurídica especializada, com plenos poderes de gestão. Já no caso da liquidação extrajudicial, o funcionamento da instituição é interrompido e a sua retirada do sistema financeiro nacional é feita de forma organizada.

O regime especial, chamado Raet, pode ser mantido por até 120 dias, prazo que no caso do Master Múltiplo vencia nesta quarta-feira (18).

O Master Múltiplo não possuía captação de depósitos do público e foi submetido em novembro ao regime de administração especial em uma tentativa de se viabilizar a continuidade dos negócios do Will Bank.

A financeira tinha sido preservada naquele momento diante do interesse de investidores em adquirir o banco digital. Mas, em 21 de janeiro, o BC decretou também a liquidação extrajudicial do Will Bank.

Segundo o BC, o relatório do administrador do regime foi apresentado na última quinta-feira (12). O documento indicou que, com a liquidação do Will Bank, “não mais subsistem motivos para o prosseguimento do Raet do Banco Master Múltiplo”.

Essa foi a última instituição do conglomerado Master a ser liquidada. No ano passado, a autoridade monetária decretou a liquidação do Banco Master de Investimento, do Banco Letsbank, da Master Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários, além do próprio Banco Master.

O grupo Master detinha 0,57% do ativo total e 0,55% das captações totais do sistema financeiro nacional, segundo o BC. O conglomerado, que tinha o Banco Master como instituição líder, era classificado pelo regulador como de crédito diversificado, porte pequeno e enquadrado no segmento S3 da regulação prudencial —de 0,1% a 1% do PIB (Produto Interno Bruto).

“O BC continua adotando as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades nos termos de suas competências legais. A indisponibilidade dos bens dos controladores e dos administradores decorrentes da decretação do Raet é mantida com a decretação da liquidação extrajudicial”, disse o órgão em nota.

A EFB Regimes Especiais de Empresas tinha sido nomeada pela autoridade monetária no ano passado para executar o Raet. Agora, a mesma empresa foi designada liquidante, tendo Eduardo Felix Bianchini como responsável técnico.

O dia 19 de setembro de 2025 foi indicado como termo legal da liquidação extrajudicial do Banco Master Múltiplo.

As investigações conduzidas pela Polícia Federal indicam que Vorcaro teria transferido recursos do banco para o próprio bolso por meio de uma sofisticada engenharia financeira envolvendo a venda de CDBs (Certificados de Depósito Bancário), falsos empréstimos a empresas controladas por laranjas e fundos de investimento.

O ex-banqueiro, que já tinha ido para a prisão em novembro, foi preso pela segunda vez neste mês, em nova fase da operação policial Compliance Zero, que também atingiu dois servidores do BC. Na última sexta (13), o STF (Supremo Tribunal Federal) formou maioria para manter a prisão preventiva de Vorcaro.

Ele está detido na Penitenciária Federal de Brasília.

No dia da prisão, em 4 de março, a defesa de Vorcaro negou que ele tenha tentado obstruir as apurações de supostas fraudes na instituição que comandava. “O empresário sempre esteve à disposição das autoridades, colaborando de forma transparente com as investigações desde o início, e jamais tentou obstruir o trabalho das autoridades ou da Justiça”, disse nota de seus advogados.

Ainda segundo as investigações, Vorcaro mantinha uma milícia privada chamada “A Turma” com o objetivo de coagir e ameaçar seus desafetos.

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