Impulsionada por uma forte recuperação da indústria e pelo aumento do consumo e do investimento, a economia brasileira crescerá 5,5% em 2010, segundo a previsão divulgada hoje pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
“Após um ano de estagnação causado pela crise econômica que afetou o mundo, o Brasil começará 2010 em um ritmo acelerado de crescimento”, de acordo com o Relatório Conjuntural da patronal dos industriais.
A previsão do setor industrial para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para o próximo ano fica acima do próprio Governo (5%) e da calculada pelos economistas dos bancos (5,03%).
A indústria, o setor mais afetado pela crise no Brasil e cuja produção sofrerá uma queda de 4,5% neste ano, se recuperará em 2010 com uma expansão de 7%, segundo prevê o próprio setor.
“O crescimento da economia esperado para 2010 fará com que a produção industrial supere já no primeiro semestre do ano o nível em que estava antes da crise”, assegura o documento.
Para os economistas da CNI, a recuperação da produção favorecerá a geração de empregos e o aumento da renda dos trabalhadores, o que permitirá o consumo interno continuar como principal estimulador do crescimento econômico.
Segundo a CNI, o consumo interno registrará em 2010 um salto do 5,6%, muito acima do 3,7% que se espera para este ano.
Da mesma forma, após uma contração de 10,8% neste ano, os investimentos aumentarão 14% em 2010, mais que o dobro do ritmo de expansão da própria economia.
Esse aumento permitirá que a relação do investimento com relação ao PIB suba de 16,9%, neste ano, para 18,3% o próximo.
“Os fatores que permitem projetar essa tendência são a elevação do nível de capacidade instalada da indústria, o aumento da confiança dos industriais, a redução dos custos e o aumento da disponibilidade de crédito no longo prazo”, conforme o Relatório Conjuntural da patronal.
Os industriais também preveem que o índice médio de desemprego do país cairá de 8,1%, neste ano, para 7,6%, em 2010.
A única preocupação manifestada pela CNI é com a taxa de câmbio, que terminará em 2010 com o câmbio em R$ 1,70 por dólar, quase igual que neste ano (R$ 1,72 por dólar).
A entidade atribui a forte apreciação do real ao aumento dos investimentos estrangeiros no Brasil e as baixas taxas de juros nos Estados Unidos, que prosseguirão nesse nível e estimulam a captação de empréstimos em dólares para seu investimento em países emergentes como o Brasil.
De acordo com a entidade, com a mudança propícia, as importações aumentarão em 38% em 2010, em comparação com este ano e ficarão em US$ 175 bilhões, em tanto que as exportações apenas subirão 24%, para US$ 188 bilhões.
“O superávit comercial do país retrocederá a partir de US$ 25,2 milhões projetados para 2009 para US$ 13 bilhões no próximo ano”, alertam os industriais.
O crescimento econômico projetado para o próximo ano permitirá que o Brasil supere o desempenho fraco de 2009, quando o PIB pode registrar uma contração.
Os economistas dos bancos brasileiros, que até uma semana atrás previam que o Brasil fecharia 2009 com um crescimento econômico de 0,21%, agora esperam um retrocesso de 0,26%, com base em uma pesquisa divulgada ontem pelo Banco Central.
A revisão da previsão ocorreu depois que o Governo divulgasse que o PIB não cresceu 1,3% no terceiro trimestre deste ano frente ao segundo, um percentual inferior ao esperado pelo Ministério da Fazenda, que confiava em uma expansão de 2%.