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Economia

iFood projeta 1 bilhão de pedidos por ano e diz que Previdência é impasse com governo

Os investimentos foram anunciados nesta terça-feira (5) por Diego Barreto, CEO do aplicativo, no evento iFood MOVE 2025, na zona sul da capital paulista, que enfrentou protestos de entregadores pela manhã

Redação Jornal de Brasília

05/08/2025 15h01

Foto: divulgação

CRISTIANE GERCINA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

O iFood projeta investir R$ 17 bilhões nas operações em 2026 e ampliar o número de pedidos para 1 bilhão por ano dentro dos próximos três anos, mas ainda não conseguiu resolver um dos principais problemas que os aplicativos enfrentam no Brasil e no mundo, que é a regulamentação dos entregadores.

Os investimentos foram anunciados nesta terça-feira (5) por Diego Barreto, CEO do aplicativo, no evento iFood MOVE 2025, na zona sul da capital paulista, que enfrentou protestos de entregadores pela manhã. A empresa também vai passar a oferecer empréstimo aos consumidores.

Segundo Barreto, as contribuições à Previdência Social da forma como foram propostas no PLP 12 (projeto de lei complementar), enviado pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Congresso em 2024, são o grande impasse para a regulamentação da categoria.

“O projeto tem consenso em 90% dos pontos, só falta uma, que é a Previdência. A gente só precisa sentar e acertar essa”, disse.

Em protesto com poucos trabalhadores na manhã desta terça, em frente ao local do evento, faixas tratavam a atividade como “escravidão moderna”.

O PLP 12 foi enviado ao Congresso em março de 2024 após negociação de oito meses entre plataformas, Executivo e trabalhadores. Ele prevê ganho mínimo aos profissionais, contribuição ao INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) de 7,5%, transparência no algoritmo e cria a categoria de trabalhador autônomo por plataforma.

A proposta, no entanto, não inclui o setor de duas rodas como o delivery de motos e bicicletas, abrangendo apenas os que trabalham com transporte de passageiros. O motivo foi justamente a falta de consenso da categoria sobre ganho mínimo e INSS.

Barreto afirma que o problema está no cálculo do valor a ser pago pelo entregador para a Previdência. Como o recolhimento seria feito de forma automática pela plataforma, todos iriam contribuir, mas poucos somariam a contribuição mínima sobre o salário mínimo que garante benefícios previdenciários.

Segundo o CEO, a plataforma concorda em pagar 80% para o governo sobre os ganhos dos trabalhadores, e eles arcariam com algo em torno de 20% no cálculo final.

O impasse seria resolvido com a criação de algum tipo de sistema integrado no eSocial -usado por empregadores para recolhimento de contribuições- que somasse todos os ganhos eventuais dos trabalhadores ao reunir o cadastro em várias plataformas.

Barreto citou como exemplo de solução o que ocorre com a regulamentação dos empregados domésticos em 2015, cuja contribuição foi ajustada pelo Congresso para atender ao tipo de trabalho da categoria e garantir direitos trabalhistas.

Na ocasião, o governo federal abriu mão de uma parte da arrecadação para propor alíquota mínima de recolhimento ao empregador fixada em 20%.

“A gente precisa achar uma forma como, por exemplo, o estado brasileiro foi capaz de fazer isso com as domésticas no passado”, afirma.

As movimentações do iFood em torno do PLP 12 estão ligadas ao fato de que, neste ano, o motoboys conseguiram apresentar suas reivindicações no projeto de lei, o 2.479/2025, apresentado pelo deputado Guilherme Boulos (PSOL) e assinado por deputados de partidos da situação e da oposição.

Além disso, uma outra proposta, do deputado Luiz Gastão (PSD-CE), poderia elevar o valor a ser pago pelas plataformas como contribuição.

A preocupação, segundo fontes, é com a queda no lucro com a debandada dos profissionais caso os ganhos se tornem menos atrativos. O entendimento é que qualquer ganho menor para o entregador e custo maior para o consumidor prejudica a atividade dos aplicativos.

Além disso, como o Brasil é um dos países com o maior número de entregadores no mundo -estima-se que as plataformas empreguem, ao todo, cerca de 2 milhões de profissionais- o que for definido pode se tornar referência em outros países e para outros tipos de trabalho feitos por intermédio de plataformas.

Barreto acredita que a regulamentação da categoria é possível, mesmo em ano pré-eleitoral. “Não acho que a gente está distante. E a gente vai brigar no bom sentido da palavra para poder aprovar esse”, afirma.

Para os entregadores, no entanto, o que mais importa é o valor pago por entrega. Uma nova forma de trabalho criada pelo iFood, chamada de subpraças, tem reduzido os ganhos ao pagar entre R$ 3,30 e R$ 3,70 por hora.

Os trabalhadores reivindicam mínimo de R$ 10, fim do valor único por entrega agrupada e a volta do sistema de nuvem, em que o profissional pode ser cadastrado usando o CPF. Há alguns meses, apenas o sistema OL (operador logístico), que obriga o entregador a ter CNPJ para trabalhar.

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