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Economia

Ibovespa reage e sobe 1,24%, de volta aos 185 mil pontos

Na sessão, oscilou entre mínima de 183.110,02 e máxima de 186 306,18 pontos, encerrando em alta de 1,24%, aos 185.366,44 pontos

Redação Jornal de Brasília

04/03/2026 18h57

ibovespa (1)

Foto: Reprodução/ Flickr

São Paulo, 04 – Reagindo à melhora observada em Nova York, o Ibovespa ganhou ritmo à tarde e retomou em fechamento o nível de 185 mil pontos, com recuperação disseminada por algumas das ações que haviam estado entre as mais punidas pela aversão a risco do dia anterior, em especial as do setor financeiro. Na sessão, oscilou entre mínima de 183.110,02 e máxima de 186 306,18 pontos, encerrando em alta de 1,24%, aos 185.366,44 pontos. O giro desta quarta-feira ficou em R$ 27,3 bilhões, após ter sido muito reforçado no dia anterior, a R$ 46,8 bilhões, quando o Ibovespa registrou sua maior perda em porcentual desde o “Flávio Day”, em 5 de dezembro passado. Na semana e no mês, o índice ainda recua 1,81%. No ano, sobe 15,04%.

Entre as ações de maior peso no Ibovespa, Vale (ON -0,46%) e Petrobras (ON -0,72%, PN -1,10%) – que ainda sobe na semana -, destoaram nesta quarta-feira, 4, apesar da virada do petróleo à tarde, do negativo ao positivo em Londres e Nova York, embora com fechamento estável. Entre os bancos, a recuperação do dia chegou a 4,14% em BTG Unit, com Itaú PN em alta de 1,42% e Santander Unit, de 2,20%. Bradesco ON e PN, pela ordem, avançaram 1,09% e 1,44%.

Na ponta ganhadora do Ibovespa, Pão de Açúcar (+14,67%), Braskem (+13,72%) e Magazine Luiza (+5,89%). No lado oposto, além das duas ações de Petrobras, destaque também para Raízen (-13,04%), Assaí (-3,35%) e Suzano (-1,34%). Em Nova York, Dow Jones (+0,49%), S&P 500 (+0,78%) e Nasdaq (+1,29%).

“Até que se consiga entender todos os efeitos e impactos, um conflito militar coloca tudo em pausa em relação ao que vinha acontecendo nos mercados. Do prisma de fundamentos para as bolsas de valores, o viés ainda é positivo, mas fica tudo meio em suspenso até que se entenda bem a magnitude e extensão da guerra. No curto prazo, bolsas em ‘hold’, mas com perspectiva ainda positiva para médio e longo prazo”, diz Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos.

Em um primeiro momento, acrescenta Moliterno, a tendência é de que o fluxo de recursos que vinham chegando à B3 sofra uma reversão transitória, retornando à origem nesse contexto de cautela e aversão a risco maior. “Por enquanto, a perspectiva é de que o Irã se mantenha isolado no conflito, sem envolvimento de novos países. Mas o petróleo continua a ser a principal incerteza, pelo impacto que os preços da commodity têm sobre inflação e juros”, acrescenta.

“Estamos vendo uma mudança no balanço de risco no curto prazo, mas não uma mudança estrutural da tese de investimento no Brasil”, diz Marco Noernberg, sócio e estrategista de renda variável da Manchester Investimentos. “Ainda se tem uma expectativa de queda de juros, uma melhora no cenário doméstico, político, e o enfraquecimento do dólar. Toda essa reprecificação levou a bolsa a máximas históricas. E o que a gente vê agora é contrafluxo de curto prazo, com esses riscos adicionais, também de curto prazo. O conflito no Oriente Médio adiciona incerteza e o ponto principal é o petróleo”, acrescenta.

Por outro lado, ele observa que se houver uma escalada forte do Brent que coloque o barril perto de US$ 100, a inflação global e também no Brasil ficaria pressionada, com efeito para a trajetória da taxa de juros tanto aqui como no exterior. “Não quer dizer que não vai cair mais, mas talvez caia menos, numa intensidade menor”, acrescenta o estrategista, referindo-se à Selic.

Os contratos futuros de petróleo fecharam a sessão desta quarta perto da estabilidade, com tráfego pelo Estreito de Ormuz como o grande tema para o setor, com as medidas anunciadas ontem pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, colaborando para amenizar os temores pelos efeitos do fechamento da rota pela qual passam cerca de 20% dos hidrocarbonetos do mundo. O tema ofuscou uma alta acima do esperado nos estoques semanais de barris nos EUA.

Nesta quarta-feira, a secretária de Imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que o regime do Irã está sendo “esmagado” pela ofensiva militar conduzida pelos Estados Unidos, destacando que as forças americanas já atingiram mais de 2 mil alvos iranianos desde o início das operações. Em coletiva de imprensa, reiterou que a campanha tem quatro objetivos principais: destruir a marinha iraniana, eliminar a capacidade balística do país, impedir permanentemente que Teerã obtenha uma arma nuclear e neutralizar os grupos aliados na região.

Dólar

Após arrancada nos dois últimos pregões, em que acumulou valorização de 2,56%, o dólar encerrou a sessão desta quarta-feira, 4, em queda de 0,89%, a R$ 5,2182, com mínima de R$ 5,1941. A moeda americana recuou na comparação com divisas fortes e emergentes, em dia marcado por recuperação de ativos de risco na esteira da diminuição dos temores de um conflito mais amplo e duradouro no Oriente Médio.

As cotações do petróleo, principal termômetro das expectativas dos investidores, apresentaram oscilações modestas, alternando entre leves altas e baixas. No fim da tarde de ontem, a commodity, que chegou a exibir avanço de mais de 9%, já moderava bastante os ganhos. Investidores assimilaram a promessa de Donald Trump de garantir o tráfego de embarcações pelo Estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20% da oferta global de petróleo. Nesta tarde, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, reforçou que os EUA trabalham em um plano para garantir a segurança do estreito.

“O Estreito de Ormuz é o termômetro da estabilidade global no momento. Se houver bloqueio, a narrativa de pouso suave da economia global dá lugar ao medo da estagflação”, afirma Luiz Fioreze, diretor de portfólio da Oryx Capital. “A interrupção do fluxo de petróleo pelo estreito é um gatilho para um novo choque inflacionário que pode paralisar os planos de flexibilização monetária das principais economias do mundo”.

Mais cedo, saiu a informação de que estariam sendo abertos canais de negociação entre Irã e Estados Unidos, o que foi imediatamente negado por autoridades iranianas. Fontes relataram ao The Wall Street Journal que o Irã tem capacidade de promover ataques com mísseis por apenas mais alguns dias.

Para a economista-chefe do Ouribank, Cristiane Quartaroli, a taxa de câmbio passou por uma correção técnica, com devolução de parte da alta observada nos últimos dois dias com a escalada da guerra. Ela pondera que, a despeito do alívio, a perspectiva é de manutenção de um ambiente de mais volatilidade, com o vaivém das informações sobre o conflito no Oriente Médio.

“Seguimos com um cenário ainda bastante instável e perspectiva de bastante volatilidade nos próximos dias por conta da questão geopolítica”, afirma Quartaroli, lembrando que na sexta-feira, 6, será divulgado o relatório de emprego nos EUA (payroll) referente a fevereiro, o que pode mexer com apostas sobre os próximos passos do Federal Reserve (Fed). “Ainda é cedo para saber qual será o impacto do conflito na condução da política monetária aqui e nos Estados Unidos”.

Na terça, o dólar à vista chegou a superar R$ 5,30 ao longo do pregão e terminou o dia no maior valor de fechamento desde 26 de janeiro (R$ 5,2797). A divisa acumula alta de 1,64% neste início de março, após queda de 2,16% em fevereiro. No ano, a moeda americana perde 4,93% em relação ao real, que ainda apresenta no período o melhor desempenho entre as divisas emergentes mais líquidas.

À tarde, o BC informou que o fluxo cambial em fevereiro foi positivo em US$ 5,429 bilhões, com entrada líquida de US$ 2,906 bilhões pelo canal financeiro, que abrange os investimentos em carteira, como renda fixa e bolsa. No ano, o saldo total é positivo em US$ 10,496 bilhões, com aporte líquido de US$ 9,128 bilhões pelo canal financeiro. Em igual período de 2025, o fluxo cambial total foi negativo em US$ 7,5 bilhões.

O economista Sergio Goldenstein, sócio e fundador da Eytse Estratégia, observa que o real apresentou o melhor desempenho entre moedas emergentes no mês passado, à exceção do peso argentino, em razão da “rotação de portfólios para fora dos EUA e maior apetite por ativos locais”, refletido na “entrada de capitais pelo segmento financeiro”.

Juros

Os juros futuros negociados na B3 devolveram parcialmente nesta quarta-feira, 4, a forte alta observada nas últimas duas sessões, após o acirramento do conflito no Oriente Médio.

Mesmo com o país persa tendo negado que agentes iranianos teriam procurado a Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA), conforme noticiado pelo The New York Times, a informação alimentou o apetite a risco e beneficiou ativos de países emergentes. Os temores de uma onda de inflação global causada por redução da oferta de petróleo também foram dissipados nesta quarta-feira, com a percepção de que o fluxo no Estreito de Ormuz será retomado em breve.

Os vértices renovaram mínimas intradia por toda a extensão da curva a termo por volta das 16h, chegando a recuar mais de 10 pontos-base a partir dos vencimentos intermediários, movimento que coincidiu com declarações da porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, de que Pentágono e o Departamento de Energia do país trabalham em um plano para garantir segurança na navegação pelo estreito. Agentes ponderaram, no entanto, que os investidores já tinham informação semelhante ontem.

No fechamento, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 diminuiu de 13,444% no ajuste anterior para 13,41%. O DI para janeiro de 2029 cedeu a 12,865%, vindo de 12,931% no ajuste de terça. O DI para janeiro de 2031 recuou de 13,314% no ajuste a 13,225%.

Em relatório divulgado nesta tarde, a Fitch Ratings avalia que o fechamento efetivo do Estreito de Ormuz, que responde por cerca de 20% do escoamento de toda a oferta global de óleo, deve ser temporário e ter efeito limitado sobre as cotações da commodity. Para a agência, não deve haver alta significativa frente à sua projeção de US$ 63 por barril para o preço médio do Brent em 2026. A estimativa foi feita em dezembro de 2025.

“O Irã não conseguiu exercer controle sobre o estreito e, apesar de o fluxo ter diminuído, a expectativa é que seja retomado em breve”, afirma Marcelo Fonseca, economista-chefe do grupo CVPAR. Assim, aponta Fonseca, os analistas deixaram em segundo plano análises de cunho geopolítico sobre o futuro do regime iraniano e se concentraram sobre o impacto de curto prazo nos mercados.

“Independente da duração do conflito, o que estava incomodando todo mundo era o petróleo alcançar patamares altos”, cenário que ficou menos provável, diz o economista. Como exemplo, ele menciona que a guerra na Faixa de Gaza já dura mais de dois anos e o mercado de Israel tem conseguido isolar eventos geopolíticos de eventos econômicos de forma pragmática, o que pode ocorrer daqui em diante em relação ao conflito no Golfo, se a oferta de petróleo não for interrompida por um longo período.

Economista-chefe da Mirae Asset, Marianna Costa concorda que o tráfego no estreito segue como “ponto nevrálgico”, com paralisação do fluxo de navios e aumento nos preços de seguros de embarcações. Hoje[quarta-feira], afirma Costa, as commodities energéticas interromperam a trajetória de ascensão, respondendo à indicação do presidente dos EUA, Donald Trump, de que o país pode garantir o seguro e proteção para navios que cruzam o ponto, ainda que a sinalização seja vista com algum ceticismo.

Embora economistas continuem ponderando que as incertezas no cenário externo podem levar o Banco Central a uma condução mais cautelosa do ciclo de afrouxamento monetário, as apostas de redução de 0,5 ponto da Selic este mês voltaram a ganhar terreno Nos cálculos de Flávio Serrano, economista-chefe do banco BMG, a precificação da curva apontava nesta tarde 60% de chance de corte de 50 pontos-base do juro em março. Na terça, esse porcentual estava em 45%.

“A volatilidade caiu e o câmbio voltou”, comenta Serrano, reconhecendo, no entanto, que a probabilidade de um ajuste inicial menor, de 25 pontos-base, aumentou depois dos ataques dos EUA e de Israel ao Irã.

Estadão Conteúdo

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