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Economia

Ibovespa confirma melhor mês desde novembro de 2020, com ganho de 12,56%

Mesmo em baixa nas duas últimas sessões do intervalo, o índice da B3 conseguiu reter ganho de 12,56% no primeiro mês de 2026

Redação Jornal de Brasília

30/01/2026 19h09

ibovespa (1)

Foto: Reprodução/ Flickr

São Paulo, 30 – O Ibovespa acentuou a correção de fim de mês após uma sucessão de recordes tê-lo colocado, no melhor momento de janeiro, 25 mil pontos acima do nível de fechamento de 2025, então aos 161 mil pontos. Mesmo em baixa nas duas últimas sessões do intervalo, o índice da B3 conseguiu reter ganho de 12,56% no primeiro mês de 2026, superando por pouco novembro de 2023 (+12,54%) e assegurando o melhor desempenho desde novembro de 2020 (+15,90%). Acentuando a correção do meio para o fim da tarde, o Ibovespa tocou mínima aos 180.088,53 (-1,66%), ou seja, quase 3,6 mil pontos abaixo do melhor momento da sessão, mais cedo, então aos 183.620,36 pontos.

O dólar também se mostrou mais pressionado ao longo da tarde, o que reforça a percepção de uma realização de lucros em cima do recente aumento de fluxo estrangeiro para a Bolsa brasileira, com o dinheiro gringo sendo o grande indutor da rápida e inclinada ascensão do índice da B3 no mês. O giro financeiro desta sexta-feira, 30, ficou em R$ 33,9 bilhões, ainda sustentado, agora com a prevalência de vendas na sessão. Na semana, o Ibovespa subiu 1,40%, vindo de ganhos de 8,53% no intervalo anterior e de 0,88% há duas semanas.

Hoje, o Ibovespa fechou em baixa de 0,97%, aos 181.363,90 pontos Mais cedo, ainda no início da tarde, o Ibovespa acumulava ganho de 14% em janeiro. Em 12 meses, ou um ano, o avanço do Ibovespa chega a 42,90% no fechamento de janeiro.

Em dólar, o índice havia chegado ao fim de dezembro a 29.354,16 pontos. Nesta sexta, chegou a 34.561,30 pontos, refletindo também a queda de 4,40% acumulada pela moeda americana frente ao real ao longo de janeiro. Apesar do estilingue entre um mês e outro, o Ibovespa ainda está longe do topo registrado em julho de 2008. Naquela época, convertido para a moeda americana, quase encostou nos 45 mil pontos, com o dólar girando então em torno de R$ 2,20. Para que atinja valores similares em dólares, precisaria se aproximar dos 240 mil em termos nominais.

Na sessão, a virada em Petrobras, em linha com o observado na etapa vespertina nos preços da commodity em Londres e Nova York, chegou a colocar a ON e a PN da estatal em baixa na sessão: ao fim, ON +0,22% e PN +0,16%, contribuindo para amenizar o ajuste negativo do Ibovespa nesta sexta-feira. Vale ON, a ação de maior peso no Ibovespa, mergulhou 3,54% no fechamento da sessão – mas ainda preservando ganho de 17,18% no ano, em sólida performance do papel da mineradora em janeiro, assim como os de Petrobras (em janeiro, ON +24,01%; PN, +22,52%).

Entre os bancos, as perdas na sessão variaram entre 0,54% (Bradesco ON) e 1,71% (Santander Unit) – no mês, destaque para Bradesco ON (+17,51%). Na ponta ganhadora do Ibovespa na sessão, Vivara (+3,11%), Yduqs (+2,44%) e Pão de Açúcar (+1,86%). No lado oposto, Usiminas (-4,98%), CSN (-4,28%) e CSN Mineração (-3,92%).

Encerrado um mês de janeiro memorável para a Bolsa, os agentes do mercado financeiro estão menos otimistas para o desempenho do Índice Bovespa na próxima semana. Na edição desta sexta do Termômetro Broadcast Bolsa, a parcela dos profissionais que esperam alta do Ibovespa caiu de 63,64% para 45,45%. Já as estimativas de queda do índice na semana que vem subiram de 9,09% para 18,18%. As apostas de estabilidade do indicador aumentaram de 27,27% para 36,36%.

“Os riscos globais não cessam, mas, ao lado da Bolsa de Seul, o Ibovespa foi destaque de valorização, no mundo, em janeiro, quando o fluxo estrangeiro no mês se assemelhou ao de todo o volume do ano anterior na B3”, diz Pedro Moreira, sócio da ONE Investimentos. Ele destaca também a criação, em janeiro, de 26 milhões de cotas no EWZ, o principal fundo ETF de ativos brasileiros em Nova York, como reflexo do interesse estrangeiro por investimento externo em carteira.

Bruna Centeno, economista e advisor na Blue3 Investimentos, aponta que Vale e, em parte, Petrobras pesaram muito na sessão, mas, ainda assim, o Ibovespa conseguiu defender a linha dos 180 mil pontos ao fim de um mês de fortes ganhos e de renovação de recordes, com o reforço do fluxo estrangeiro.

“Ainda em 15% ao ano, a Selic trouxe, sim, boas oportunidades na renda fixa. Mas o Ibovespa avançou 34% em 2025 e já sobe mais de 10% em 2026, e o ano mal começou”, diz Bruna Sene, analista de renda variável da Rico.

Dólar

O dólar apresentou alta firme nesta sexta-feira, 30, acompanhando a onda de valorização da moeda americana no exterior. Operadores afirmam que houve um processo de ajuste e correção de excessos recentes, após a indicação de Kevin Warsh à presidência do Federal Reserve mitigar os temores de ingerência de Donald Trump na política monetária dos EUA.

Analistas destacam que as commodities metálicas, como ouro e prata, que subiram em uma onda especulativa diante da derrocada do dólar como reserva de valor, nesta sexta apresentaram queda de mais de dois dígitos. Entre as principais moedas globais, divisas emergentes foram as mais castigadas, com destaque para as latino-americanas e o rand sul-africano, os principais pares do real

Com máxima a R$ 5,2785, à tarde, o dólar à vista terminou o dia em alta de 1,04%, a R$ 5,2476. Apesar do repique, recuou 0,73% na semana e 4,40% em janeiro – a maior queda mensal desde junho de 2025, quando caiu 4,99%. Em dezembro, o dólar havia subido 2,89%, em razão do aumento de remessas ao exterior e do avanço dos ruídos políticos domésticos.

O diretor da Tesouraria do Travelex Bank, Marcos Weigt, afirma que a escolha de Warsh para a presidência do Fed foi o gatilho para uma reprecificação dos preços de ativos, com correção de certos exageros vistos ao longo das últimas semanas.

“Tudo o que subiu muito recentemente está sofrendo uma realização forte nesta sexta. Ouro, prata e moedas emergentes têm quedas fortes”, afirma Weigt, que não vê, contudo, as movimentações como uma mudança de tendência. “O fundamento não mudou. Continuo acreditando que os investidores vão buscar ativos fora do dólar, como ouro, bolsas e moedas emergentes”.

Para Weigt, o real tende a se apreciar nos próximos meses, a despeito do início de um ciclo de corte de juros em março, como indicado na última quarta-feira, 28, pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central no comunicado em que anunciou a manutenção da taxa Selic em 15%.

“Para o real sentir a queda de juros, a taxa Selic teria que ir para 11% ou menos. E a questão eleitoral não deve ter grande influência no mercado até abril”, afirma o tesoureiro.

Termômetro do comportamento da moeda americana em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY (Dollar Index) subia cerca de 0,70% no fim da tarde, próximo dos 97,000 pontos, após máxima aos 97,102 pontos. O Dollar Index termina a semana com perda de 0,50% e recua mais de 1,30% em janeiro.

Entre os indicadores, destaque para o índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) e seu núcleo nos EUA em dezembro, que superaram as expectativas dos analistas. Ferramenta de monitoramento do CME Group mostra que as apostas majoritárias são de corte dos Fed Funds em junho.

Em publicação na rede social Truth Social nesta sexta-feira, Trump indicou Kevin Warsh à presidência do Fed. Warsh foi diretor da instituição entre 2006 e 2011 e teve atuação relevante na crise financeira de 2008.

O economista-chefe da Azimut Brasil Wealth Management, Gino Olivares, observa que Warsh era “visto como um hawk” durante seu mandato, ou seja, defensor de uma política monetária mais restritiva. Olivares destaca, porém, que recentemente Warsh passou a apresentar uma postura mais similar à de Trump, “passando a defender a queda dos juros”.

O desafio do novo presidente do Fed, segundo o economista, vai ser se equilibrar entre a pressão de Trump por mais afrouxamento monetário e a visão atual da maioria dos dirigentes do Fed contrária a novas reduções dos juros neste momento.

Para o sócio e economista-chefe da WHG, Fernando Fenolio, a escolha de Warsh pode eliminar “um risco de cauda relevante – o receio de que o Fed pudesse, de fato, perder sua independência”.

“O que o Trump fez pode, na prática, ter sido a melhor escolha: alguém com credenciais suficientes para entregar o que ele deseja sem provocar um impacto dramático na ponta longa da curva de juros e, principalmente, no dólar”, afirma Fenoli, em nota, ressaltando que Warsh tem legitimidade para conduzir o comitê de política monetária do Fed, o que reduz o risco de uma “rebelião interna”.

Para Fenolio, é “perfeitamente possível” que haja dois ou três cortes de juros nos EUA no segundo semestre deste ano, sem a “aparência de uma intervenção grosseira ou excessivamente politizada por parte do governo Trump”.

Juros

Após uma sequência de sete sessões de queda nos juros futuros, a pressão vinda do exterior interrompeu o rali das taxas, que ainda acumulam, no entanto, redução importante nos prêmios de risco na semana e no primeiro mês do ano.

Nesta sexta-feira, 30, dados de inflação ao produtor dos Estados Unidos acima do previsto e a indicação de Kevin Warsh, ex-dirigente do Federal Reserve, para comandar o BC americano provocaram inclinação da curva dos Treasuries na abertura dos negócios, o que se refletiu no mercado de renda fixa local.

Por volta das 15h30, os DIs responderam ao ganho de impulso do dólar à vista, que renovou máxima ante o real. Do lado doméstico, o novo recorde de baixa da taxa de desemprego em dezembro veio em linha com as expectativas, figurando como um fator secundário para a discreta elevação dos DIs na sessão – que, para agentes, representou mais uma realização de lucros depois do recuo generalizado na semana e ao longo de janeiro.

No fechamento, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 oscilou de 13,473% no ajuste de quinta para 13,485%. O DI para janeiro de 2029 avançou de 12,684% no ajuste anterior a 12,725%. O DI para janeiro de 2031 anotou alta a 13,095%, vindo de 13,044% no ajuste.

Estrategista-chefe da Nomad, Paula Zogbi avalia que a elevação dos vértices intermediários e longos na sessão desta sexta ocorreu provavelmente em resposta ao movimento dos Treasuries, após uma leitura de inflação ao produtor acima do projetado, contrabalançada pelas reações positivas à nomeação de Warsh para a presidência do Fed.

A indicação do presidente Donald Trump, que ainda precisa passar pelo crivo do Senado americano, foi vista de forma geral pelos agentes como uma boa escolha, de credibilidade institucional, diz Zobgi. “Ele defende cortes de juros, mas é conhecido por ter historicamente uma postura hawkish, o que diminui a visão de risco de captura política total do banco central”, disse.

O anúncio de Warsh deu suporte, inclusive, ao fortalecimento global do dólar, uma vez que dentre as opções consideradas por Trump, o ex-diretor é tido com o mais duro em relação à condução da política monetária, observa Marianna Costa, economista-chefe da Mirae Asset. “Na parte da tarde, foi essa puxada do dólar que elevou o DI. O anúncio do nome do próximo presidente do Fed ajudou nesse sentido”, apontou.

Diante do fechamento significativo da curva de juros futuros esta semana e no mês, a elevação não “é nada demais”, destaca o estrategista de investimentos do Santander João Freitas. Em relação ao fechamento da última sexta-feira, o DI para janeiro de 2027 cedeu 21 pontos-base. O vértice de janeiro de 2029 caiu 30 pontos-base, e o de janeiro de 2031, 25 pontos-base.

No saldo de janeiro, a curva a termo também perdeu inclinação, com redução de 31 pontos-base no vencimento do primeiro mês de 2027. Nas taxas de janeiro de 2029 e 2031, o recuo mensal foi de 45 pontos-base e 35 pontos-base pela ordem.

“O Brasil se beneficiou bastante do modo ‘risk on’ do mercado no mundo todo. O fluxo de capital está forte, e o real e o Ibovespa se destacaram no mês”, afirma Freitas, acrescentando também que, nos leilões do Tesouro, investidores não residentes foram os principais compradores de LFT e LTN. O quadro benigno para os ativos de risco do País, em sua visão, deve perdurar. “O Brasil está muito bem posicionado e se destaca do ponto de vista de um diferencial de juros atrativo”.

Em relação à alta nas taxas desta sexta, o cenário externo foi o principal vetor, mais do que a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do IBGE, diz o estrategista do Santander. Divulgado na abertura do mercado, o levantamento mostrou que a taxa de desemprego caiu a 5,1% no trimestre móvel encerrado em dezembro, exatamente o que previa a mediana dos analistas consultados pelo Projeções Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado. Esta é a menor taxa da série histórica da pesquisa, iniciada em 2012.

Com maior potencial de movimentar a curva, o mercado aguarda a ata do Comitê de Política Monetária (Copom). A ser publicado na próxima terça-feira, o documento pode dar indicações que reforcem confiança no corte de juros em março. Segundo cálculos de Flávio Serrano, economista-chefe do banco Bmg, a curva futura apontava no fim da tarde 68% de probabilidade de redução de 0,5 ponto da Selic na próxima reunião do colegiado.

Estadão Conteúdo

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