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Economia

Haddad indica a Lula um crítico das altas taxas de juros para diretoria do BC

A eventual indicação pelo presidente terá de ser submetida à aprovação do Senado, que irá sabatinar o economista após a formalização pelo Planalto de seu nome ao cargo.

Redação Jornal de Brasília

02/02/2026 22h26

Foto: Pablo Porciuncula/AFP

Foto: Pablo Porciuncula/AFP

São Paulo, 02 – O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, indicou o secretário de Política Econômica da pasta, Guilherme Mello, a uma das diretorias do Banco Central que estão vagas desde 2025. O nome foi sugerido pessoalmente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A informação foi confirmada ao Estadão por pessoas próximas de Mello e Haddad. Procurados, eles não se manifestaram.

A eventual indicação pelo presidente terá de ser submetida à aprovação do Senado, que irá sabatinar o economista após a formalização pelo Planalto de seu nome ao cargo. O Comitê de Política Monetária (Copom) é formado pelo presidente e pelos diretores do BC, que votam nas decisões sobre a taxa básica de juros (Selic). Estão vagas as diretorias de Política Econômica e de Organização do Sistema Financeiro e Resolução – Mello estaria cotado para a primeira.

A indicação de um economista de confiança dos petistas ocorre em meio à manutenção da taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano, o maior patamar em 20 anos, pelo Copom.

Mello foi um dos economistas que elaboraram o plano de governo de Lula na Fundação Perseu Abramo, ligada ao PT, nas eleições de 2022. O documento criticava aumentos da Selic pelo BC.

O economista foi anunciado para o posto na Fazenda por Haddad ainda na transição de governo, após a vitória de Lula sobre Bolsonaro. E manteve-se crítico aos juros altos quando representou o governo em eventos. “É evidente que o nível de juros, da taxa de juros básica no Brasil, é restritivo e elevado e inibe não só a captação da caderneta de poupança como a própria concessão de crédito em diferentes modalidade, e dificulta o mercado de crédito imobiliário”, disse em debate no CNN Talks.

Em 2019, juntamente com os economistas Felipe Da Roz, Fernanda Oliveira Ultremare e Olívia Maria Bullio Mattos, ele criticou o uso exclusivo de ferramentas de política monetária heterodoxas – como juros negativos e compra de títulos de dívida – para estimular o crescimento.

CURRÍCULO

Mello é mestre em Economia Política pela PUC-SP e doutor em Ciência Econômica pela Unicamp, onde leciona e coordena o programa de pós-graduação em desenvolvimento econômico. Entre suas linhas de estudo estão as “políticas monetárias não convencionais”. É autor das teses A Pós-Grande Indústria Capitalista e a Questão do Valor: Uma Abordagem Marxista e Os Derivativos e a Crise do Subprime: o Capitalismo em sua Quarta Dimensão, respectivamente, de mestrado e doutorado.

“A indicação dele é muito natural. Guilherme sempre foi bastante discreto, não criou ruído na Fazenda e, nesse sentido, o mercado não tende a reagir mal”, diz o economista André Perfeito, da Garantia Capital, que foi contemporâneo de Mello no curso de Economia da PUC-SP.

Estadão Conteúdo

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