O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que a escalada do conflito no Oriente Médio não deve interferir na redução da taxa Selic, prevista para iniciar em março. A taxa básica de juros está atualmente em 15% ao ano, no maior nível desde julho de 2006, e o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central confirmou, em ata recente, que começará os cortes caso a inflação permaneça sob controle e não haja surpresas econômicas.
Em entrevista ao programa Alô Alô Brasil, da Rádio Nacional, nesta terça-feira (3), Haddad enfatizou que é prematuro prever reversões no ciclo de cortes, apesar das incertezas geradas pelo conflito. Ele destacou a preparação da equipe econômica para diversos cenários, incluindo conflitos armados, eventos climáticos, pandemias ou guerras tarifárias.
O ministro ressaltou a autonomia do Brasil para suportar as consequências atuais do conflito, citando a produção de petróleo, especialmente do pré-sal via Petrobras, reservas cambiais, ausência de dívida externa e energia limpa. ‘O Brasil não depende de petróleo, o Brasil é um dos maiores produtores de petróleo do mundo’, acrescentou.
A escalada do conflito começou no último sábado (28), com ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã, resultando na morte do líder supremo do país persa, o aiatolá Ali Khamenei. O Irã reagiu com ataques a bases americanas no Oriente Médio e a Israel, e nesta segunda-feira (2) anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz, rota vital para o transporte mundial de petróleo, ameaçando incendiar embarcações que tentem passar.
Haddad comentou que os conflitos armados afetam expectativas econômicas, mas defendeu que o Brasil deve ter humildade sem desconsiderar suas forças. Ele também vinculou o conflito à estratégia dos EUA e Israel para conter a expansão econômica da China, parceira estratégica do Irã no comércio de petróleo. Segundo o ministro, a China assusta Washington, e ações semelhantes ocorreram na Venezuela, com o sequestro do presidente Nicolás Maduro por militares americanos em janeiro.
‘Todas essas movimentações têm muito a ver com a China, tanto na Venezuela quanto no Irã, a questão é o petróleo e a dependência da China da importação de 11 a 12 milhões de barris por dia’, disse Haddad. Ele questionou a abordagem bélica, sugerindo maior integração econômica e cooperação internacional.
O Ministério das Relações Exteriores da China expressou extrema preocupação com os ataques, exigindo interrupção imediata das ações militares, respeito à soberania iraniana e retomada de diálogos para preservar a estabilidade regional. Especialistas consultados avaliam que as agressões visam a troca de regime em Teerã para deter a influência chinesa e consolidar a hegemonia de Israel no Oriente Médio.