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Economia

Haddad atribui dívida pública a juros altos e defende redução da Selic

Ministro da Fazenda destaca corte de 70% no déficit primário em dois anos e elogia gestão do Banco Central.

Augusto Santos Verçosa

19/01/2026 14h38

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Lula Marques/ Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu nesta segunda-feira (19) que o problema da dívida pública brasileira decorre do patamar elevado dos juros reais na economia, e não de um excesso de gastos públicos. Em entrevista ao programa UOL News, ele destacou que, em dois anos, o governo reduziu em 70% o déficit primário. “O problema da dívida tem a ver com o juro real, não tem a ver com o déficit, que está caindo”, pontuou.

Haddad enfatizou que a meta de resultado primário para este ano é ainda mais exigente do que nos anos anteriores. Mesmo considerando exceções fiscais, como o ressarcimento de descontos indevidos no INSS, o déficit de 2023 ficou em 0,48% do PIB, contra uma projeção de mais de 1,6% sob o governo anterior.

Sobre a taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 15%, o ministro afirmou haver espaço para redução. “Óbvio que tem espaço para cortar os juros porque eu acho que tem”, disse, ao mesmo tempo em que elogiou a atuação do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Haddad destacou a gestão responsável do escândalo envolvendo o Banco Master, herdado da administração anterior.

O ministro defendeu a ampliação do perímetro regulatório do Banco Central, propondo que o órgão assuma a fiscalização de fundos de investimento, atualmente responsabilidade da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). “Tem muita coisa que deveria estar no âmbito do Banco Central e que está no âmbito da CVM, na minha opinião, equivocadamente”, argumentou, citando a intersecção entre fundos e finanças que impacta a contabilidade pública.

Questionado sobre o apelido ‘Taxad’, recebido nas redes sociais devido a aumentos de tributos, Haddad reagiu positivamente. Ele se disse feliz por ser lembrado como o ministro que, nos últimos 30 anos, taxou offshores, fundos familiares fechados, paraísos fiscais e dividendos, afetando bancos, bets e bilionários.

Por fim, o ministro avaliou que a economia não será um fator decisivo nas próximas eleições presidenciais, no Brasil ou no mundo. Segundo ele, pesquisas indicam que temas como segurança pública e combate à corrupção são mais relevantes. Haddad também afirmou não pretender se candidatar a cargo público nas eleições vindouras e que discute o assunto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

*Com informações da Agência Brasil

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