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Economia

Guerra no Oriente Médio pode afetar um terço das exportações de frango e milho do Brasil

Oriente Médio responde por quase 35% das vendas brasileiras de frango e milho

Redação Jornal de Brasília

02/03/2026 17h26

milho

Foto: Reprodução

MAELI PRADO
FOLHAPRESS

A escalada dos conflitos no Oriente Médio após os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã neste sábado (28) afetará principalmente as exportações brasileiras de frango e milho, os dois principais produtos vendidos à região.

Dados do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) mostram que o Oriente Médio recebeu US$ 3 bilhões em carne de frango no ano passado, o equivalente a 34,8% de todas as vendas brasileiras do produto no período.

No caso do milho, cujas vendas à região somaram US$ 2,7 bilhões, 32,4% das exportações totais do cereal. Em terceiro lugar no ranking dos itens em que a região tem maior peso, está o açúcar, com 16,8% do total exportado do produto.

As exportações brasileiras ao Oriente Médio totalizaram US$ 16,1 bilhões em 2025, o equivalente a 4,6% de todas as vendas do Brasil a outros países. As vendas para o Irã somaram US$ 2,9 bilhões, ou 0,83% das exportações brasileiras.

A ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal) afirmou em nota que a entidade está mapeando os pontos críticos à logística na região influenciada pelo conflito e que considera alternativas de transporte.

“Neste momento, o setor analisa rotas alternativas que foram utilizadas em outras ocasiões de crises na região. Vale ressaltar que não há embarques significativos de carne de frango para o Irã”, afirmou a associação.

Do lado das importações do Oriente Médio, os fertilizantes estão entre os itens mais relevantes, com US$ 2,2 bilhões adquiridos por compradores brasileiros no ano passado. O valor equivale a 14,4% do total importado do produto. O Brasil ainda importou US$ 3,1 milhões em petróleo e derivados da região -o montante representa 10,2% do total importado do produto.

No ano passado, os brasileiros importaram US$ 7,1 bilhões do Oriente Médio, o equivalente a 2,5% das compras totais.

Para especialistas, o impacto sobre o comércio exterior dependerá da duração da guerra no Irã.

“Se a crise durar até uma semana, 10 dias no máximo, como já aconteceu outras vezes, o mercado mais ou menos se adapta. Se demorar mais, começa a haver alta nos contratos de seguro e de custo de frete para aquela região”, afirma Welber Barral, fundador da consultoria BMJ, consultor em comércio internacional e ex-secretário de Comércio Exterior.

Segundo o Financial Times, as seguradoras informaram no final de semana aos armadores que cancelariam as apólices e aumentariam os preços dos seguros para embarcações que transitassem pelo golfo Pérsico e pelo estreito de Hormuz, por onde passa 20% da produção mundial de petróleo.

Para o presidente-executivo da AEB (Associação de Comércio Exterior do Brasil), José Augusto de Castro, a guerra tende a ser positiva para o comércio exterior brasileiro. Isso acontecerá pelo aumento em valores das exportações de soja e petróleo, já que os preços tendem a subir.

“A tendência é que a guerra aumente o superávit comercial, principalmente via soja e petróleo. Mas é importante ressaltar que o cenário ainda está muito volátil, tudo pode mudar dependendo dos desdobramentos da guerra”, afirmou.

Na tarde desta segunda o petróleo Brent, referência mundial, subia 6,4%, cotado a US$ 77,50. As ações da Petrobras subiam cerca de 4%.

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