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Economia

Guerra, inadimplência e El Niño levaram BB a reduzir expectativa de lucro

BB cita guerra no Irã, ameaça de El Niño e juros elevados como fatores de pressão sobre produtores rurais e clientes pessoas físicas; banco revisou expectativa de lucro para 2026

Redação Jornal de Brasília

14/05/2026 13h20

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

JÚLIA MOURA
FOLHAPRESS

A guerra no Irã, o risco do El Niño e a inadimplência das pessoas físicas levaram o Banco do Brasil a esperar um resultado menor em 2026, surpreendendo o mercado negativamente, afirmou a diretoria do banco nesta quinta-feira (14), ao comentar o balanço do primeiro trimestre de 2026.

Segundo executivos da instituição financeira, a expectativa é que o conflito no Oriente Médio impacte o custo dos produtores rurais, dada a alta no preço dos fertilizantes. Outro risco é que o El Niño afete a safra deste ano. Além disso, a alta taxa de juros, com a Selic em 14,50% ao ano, contribui para a dificuldade financeira dos produtores.

A pressão do custo do crédito se refletiu nas expectativas oficiais do BB para 2026, com o banco revisando para baixo o lucro esperado. Agora, o resultado anual deve ficar entre R$ 18 bilhões e R$ 22 bilhões. Anteriormente, a instituição esperava de R$ 22 bilhões a R$ 26 bilhões.

O indicador de inadimplência acima de 90 dias dos empréstimos do BB a produtores rurais segue em alta e chegou a 6,22% da carteira em março, um ganho de 3,5 pontos percentuais em um ano.

Os clientes com maior inadimplência, segundo o BB, são os produtores de soja e milho. O setor vive uma onda de recuperações judiciais desde a queda na safra de 2024, após colheita recorde de 2023. No primeiro trimestre de 2026, o banco viu 162 clientes pedirem recuperação judicial.

“As RJs [recuperações judiciais] continuam ainda acontecendo. Houve 61 novos processos em abril, totalizando R$ 650 milhões, o que ainda é um número elevado para um único mês”, disse Geovanne Tobias, diretor financeiro do BB.

Dos R$ 418,4 bilhões de crédito ao agro, a estatal espera perder R$ 40,6 bilhões, ou seja, 9,7%. No balanço, o banco já considera esse valor como perdido, mesmo que venha a recuperá-lo, o que pesa no resultado final.

Segundo o banco, na safra de 2025/2026, 63% do financiamento a grandes produtores foram contratados com alienação fiduciária para mitigar este risco.

Já na carteira de pessoas físicas, a perda esperada é ainda maior, de 10,1%, dos R$ 361,7 bilhões totais. A inadimplência neste segmento está em 6,82%, alta de 1,72 ponto percentual. O maior atraso é em cartão de crédito, com 7,12% em débito.

Os executivos apontam o comprometimento de renda das famílias como um dos fatores para o alto índice de atrasos e esperam que o novo Desenrola, de renegociação de dívidas bancárias, melhore o quadro.

“Já renegociamos mais de R$ 1 bilhão em dívidas, beneficiando mais de 100 mil clientes e mais de 6.700 empresas, nas quatro frentes do novo programa Desenrola. Além disso, já realizamos 90 mil renegociações com pessoas fora do programa, somando mais de R$ 508 milhões”, afirmou Tobias.

Outra medida é a redução do crédito ofertado aos clientes de menor renda e foco em linhas com garantia, como o consignado privado e público.

Segundo analistas do BTG Pactual, até o momento, a expansão de linhas de crédito com spreads mais elevados para compensar as perdas “não foi suficiente para compensar o maior custo de risco”.
A presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, não estava na apresentação dos resultados. Segundo Tobias, a executiva se recupera de uma cirurgia na coluna.

RAIO-X | BANCO DO BRASIL

Fundação: 1808
Lucro no 1º tri de 2026: R$ 3,4 bilhões
Agências: 3.942
Funcionários: 84.619
Principais concorrentes: Itaú Unibanco, Bradesco, Santander, Nubank e Caixa Econômica Federal

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