A vida pública na Grécia foi paralisada nesta quarta-feira (05) por uma nova greve geral convocada pelos principais sindicatos do país contra as mais recentes medidas austeridade do governo, um protesto que foi marcado por vários distúrbios.
Milhares de pessoas se manifestaram no centro de Atenas para expressar seu repúdio a medidas que envolvem a demissão de 30 mil trabalhadores, novos cortes salariais e de pensões, além do aumento de impostos.
Desde a meia-noite os trens deixaram de circular, e os motoristas de ônibus urbanos pararam de trabalhar por três horas durante a manhã e vão se somar a novas interrupções temporárias à tarde.
Os táxis e algumas linhas de metrô circularam normalmente pela capital, mas o transporte aéreo nacional e internacional foi completamente paralisado pela greve dos controladores aéreos.
Os funcionários de ministérios, empresas estatais, escolas e hospitais não trabalharam em protesto contra as medidas, que cada vez mais gregos consideram como injustas.
Nas emissoras de rádio e televisão estatais não houve programas de notícias, e a agência de notícias “ANA” não enviou informações a seus assinantes.
As manifestações ocorreram na maior parte de forma pacífica, mas cerca de 300 pessoas enfrentaram a polícia, lançando pedras e alguns objetos em chamas. Os agentes de segurança, por sua vez, responderam com gás lacrimogêneo.
Pelo menos 12 pessoas foram detidas, e dois policiais e alguns civis, entre eles um fotógrafo da agência “AFP”, ficaram feridos, informou à Agência Efe um porta-voz da polícia.
Em outras cidades gregas também houve manifestações que desembocaram em violentos confrontos com a polícia.
Manifestantes pediam a saída dos inspetores do Fundo Monetário Internacional (FMI), da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu que supervisionam a aplicação das severas medidas de austeridade.
Em meio à revisão dos dados de crescimento e déficit para este ano e o próximo, o governo grego se viu obrigado a propor novas medidas econômicas que garantam 2 bilhões de euros adicionais em 2011 e de 5 bilhões de euros em 2012.
No último domingo o governo revisou suas previsões para o déficit de 7,6% para 8,5% do PIB neste ano. Além disso, corrigiu em baixa as estimativas sobre a retração na economia, de 3,8% para 5,5%.
Segundo as novas medidas, em uma primeira fase 30 mil trabalhadores perderão seus empregos nos próximos meses, e outros 120 mil serão afetados até 2013. A Grécia, um país de 11 milhões de habitantes, possui 900 mil funcionários públicos.
O projeto de lei para esses ajustes, somados ao aumento de impostos, taxas extraordinárias sobre imóveis e à redução das pensões mínimas, será tramitado nesta quinta-feira no parlamento.
O governo não desmentiu informações veiculadas na imprensa segundo as quais os inspetores internacionais exigiram reduções salariais no setor privado, eliminando o convênio coletivo nacional e suprimindo o salário mínimo de 750 euros mensais.
O FMI parece não ter pressa para que as negociações com o governo grego se encerrem, para que possa enviar à Grécia um novo pacote da ajuda necessária para manter o país de pé, já que os recursos gregos vão acabar na metade de dezembro.
Os inspetores reiteraram que a Grécia receberá um segundo resgate quando forem cumpridas as medidas e reformas necessárias para tornar mais sustentável a enorme dívida do país, que previsivelmente chegará a 172,7% de seu PIB em 2012.
A próxima reunião dos sindicatos para analisar uma nova greve geral de 24 horas está prevista para 19 de outubro.