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Economia

Governo solicita o bloqueio de 5.209 sites de apostas após assinatura de MP

Operação prevê ações para impedir a operação das plataformas e dificultar a circulação de dinheiro e a divulgação de publicidade

Redação Jornal de Brasília

29/09/2026 17h59

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Foto: Agência Brasil

RAQUEL LOPES
FOLHAPRESS

O Ministério da Justiça e Segurança Pública disse nesta terça-feira (29) que foi solicitado o bloqueio de 5.209 sites de apostas que passaram a operar de forma ilegal no país após medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na sexta-feira (25).

A operação, coordenada pela Casa Civil em conjunto com os ministérios da Justiça e da Fazenda e a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), prevê uma ofensiva em cinco diferentes frentes contra os operadores irregulares, com bloqueio de sites, retirada de aplicativos, remoção de publicidade e medidas para interromper os fluxos financeiros das plataformas.

No caso do bloqueio dos sites, os ministérios da Fazenda e da Justiça encaminharam à Anatel, em três dias, a lista com os 5.209 endereços a serem bloqueados. A agência, então, repassa as determinações às prestadoras de internet registradas no país. A estimativa é que o bloqueio seja efetivado entre seis e oito horas após o recebimento da ordem.

A ofensiva também alcança aplicativos e redes sociais. Lojas de aplicativos foram notificadas para retirar de suas lojas 186 apps de apostas até o dia 6 de outubro.

Oito grandes plataformas de redes sociais também foram notificadas para remover anúncios e propagandas de apostas ilegais em até dez dias, com prazo até 8 de outubro.

As empresas que estão em processo de extinção de autorização poderão manter seus sites e plataformas disponíveis somente até 5 de outubro. Segundo o governo, o período funciona como uma janela para que os apostadores solicitem o saque e a restituição dos valores depositados.

O secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, disse que a atuação do governo ficava limitada ao bloqueio de domínios e sites pois não existiam os instrumentos legais e regulatórios necessários para interceptar o fluxo do dinheiro.

Com a entrada em vigor do novo arcabouço normativo e das resoluções do Banco Central, o Estado passou a ter poder legal para atacar a infraestrutura financeira das apostas ilegais.

As obrigações impostas pela medida provisória e pelas diretrizes do Banco Central provocaram um impacto imediato na movimentação financeira do país: nos três primeiros dias de aplicação das medidas, o volume diário de transações via Pix caiu cerca de 10% no Brasil, fatia atribuída pelo governo ao encerramento do fluxo financeiro que alimentava os jogos não autorizados.

“O Banco Central libera todo dia os números de Pix de transações. Então isso é uma informação pública. De sábado até segunda, o número de Pix movimentados no Brasil caiu na ordem de 10%”, disse Chico Lucas.

Como mostrou a Folha de S. Paulo, os brasileiros tinham R$ 1,7 bilhão depositados em casas de apostas na sexta-feira (25).

A MP também determina o pagamento de premiações relativas a apostas cujo resultado for apurado até o fim do prazo. Procurada, a Fazenda não esclareceu se os bônus oferecidos pelas casas de apostas também poderão ser sacados.

Apostas cujo resultado não tiver ocorrido até a data-limite serão consideradas inexistentes, e os valores depositados pelos usuários serão devolvidos pelas empresas. Além disso, os sites estão proibidos, desde a publicação da MP, de aceitarem novos cadastros.

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