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Economia

Governo corta projeções de PIB e inflação para 2026 e 2027

Ministério da Fazenda revisou para baixo a previsão de crescimento e ajustou a inflação para cima em 2027, em meio aos efeitos dos juros e de riscos climáticos.

Redação Jornal de Brasília

22/09/2026 15h54

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Foto: Agência Brasil

O Ministério da Fazenda reduziu as projeções de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2026 e 2027 e também recalibrou as estimativas de inflação para os dois anos, segundo o Boletim Macrofiscal da Secretaria de Política Econômica (SPE), divulgado nesta terça-feira (22).

Para 2026, a estimativa de alta do PIB caiu de 2,3% para 2%, enquanto, para 2027, foi revisada de 2,5% para 2,3%. A SPE atribuiu a mudança principalmente aos efeitos dos juros ainda restritivos sobre a atividade econômica, com impacto mais forte sobre os setores de serviços e indústria.

A projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026 também foi reduzida, de 5,1% para 4,9%. Apesar da melhora, o índice segue acima do teto da meta de inflação, de 4,5%. Segundo a secretaria, a revisão levou em conta os resultados do IPCA até julho, que vieram parcialmente abaixo do esperado, sobretudo nos preços de alimentos consumidos nos domicílios e, em menor medida, dos serviços.

No detalhamento por setores, a Fazenda passou a estimar crescimento de 1,8% para serviços, ante 2,4% anteriormente; de 1,7% para a indústria, contra 2,1%; e de 2,8% para a agropecuária, acima da previsão anterior de 1,8%. A melhora no campo compensou apenas parcialmente a piora nas projeções para serviços e indústria.

Para 2027, o governo passou a prever inflação de 3,8%, acima dos 3,6% estimados antes, e crescimento do PIB de 2,3%. A alta da inflação foi associada, entre outros fatores, aos possíveis efeitos de um El Niño mais intenso sobre a produção agrícola, com impacto inicial sobre os grãos e, depois, sobre os preços das carnes.

A SPE também afirmou que os efeitos de eventuais cortes da Selic devem aparecer de forma gradual no crédito, no consumo e nos investimentos, com benefícios maiores para setores mais sensíveis ao ciclo econômico. O boletim ainda lista riscos externos e climáticos que podem alterar o cenário, como o comportamento do preço do petróleo, as condições do crédito para famílias e empresas, o ritmo de recuperação da demanda doméstica, o desempenho das exportações e da indústria extrativa, além de conflitos internacionais.

As projeções do Boletim Macrofiscal servem de referência para a elaboração e atualização do Orçamento da União e orientarão o Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas, previsto para a próxima quinta-feira (24).

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