NICOLA PAMPLONA
FOLHAPRESS
A ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis) confirmou nesta quinta-feira (6) dois leilões de áreas para exploração e produção de petróleo no país em 2026. Um deles oferece blocos em uma nova fronteira exploratória na amazônia.
Os dois leilões foram agendados para o dia 7 de outubro. Estão à disposição do mercado 13 áreas no pré-sal e 275 áreas em outras regiões espalhadas pelo país. As ofertas são separadas porque há regras diferentes para o pré-sal desde o governo Dilma Rousseff (PT).
Entre as áreas fora do pré-sal, o governo incluiu a bacia de Tacutu, uma bacia terrestre na fronteira entre Roraima e a Guiana. A região só irá a leilão, porém, se houver manifestação de interesse de empresas petroleiras até o dia 31 de agosto.
A bacia tem uma área de 12,5 mil quilômetros quadrados divididos entre Brasil e Guiana, onde é chamada de North Savannas. Fica em uma planície a cerca de cem metros de altitude com vegetação predominante de cerrado.
A bacia do Tacutu chegou a ser avaliada pela Petrobras no início dos anos 1980, mas saiu do radar após quatro poços sem descoberta de óleo. A oferta de blocos na região foi aprovada pelo CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) em dezembro de 2024.
Houve protestos de organizações ambientalistas. O Instituto Arayara, por exemplo, disse entender que a área dos blocos tem sobreposições com cinco áreas de influência direta em terras indígenas: Jabuti, Bom Jesus, Canauanim, Serra da Moça e São Marcos, onde vivem, ao todo, 20,6 mil pessoas.
A ANP afirmou na época que o desenho dos blocos já busca evitar as sobreposições e que sua oferta é respaldada por manifestações conjuntas dos ministérios de Minas e Energia e do Meio Ambiente, que garantem aval ambiental a blocos exploratórios no país.
COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS NA AMAZÔNIA
Há hoje na amazônia dois polos de produção de petróleo e gás, ambos em terra. O mais antigo, Urucu, fica em uma área de floresta fechada no município de Coari, cerca de 400 quilômetros ao sudoeste de Manaus. O mais recente, Azulão, fica em Silves, a 180 quilômetros da capital.
Nos dois casos, o produto principal é o gás natural. O de Urucu é levado a Manaus por um gasoduto de 600 quilômetros de extensão e o de Azulão, transportado até Roraima em caminhões para abastecer usinas térmicas. O primeiro é operado pela Petrobras e o segundo, pela Eneva.
A estatal tenta encontrar a primeira província produtora de petróleo na costa amazônica, com a perfuração do polêmico poço do bloco 59 da bacia da Foz do Amazonas. Depois de um acidente e vários adiamentos, a nova expectativa é que o poço seja concluído entre o fim de outubro e o início de setembro.
A pressão do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela abertura de novas fronteiras para exploração de petróleo é alvo de protestos pelo mundo, sob o argumento de que as reservas ainda não descobertas de petróleo deveriam ficar no subsolo.
Governo confirma oferta de nova fronteira para exploração de petróleo na amazônia
Estão à disposição do mercado 13 áreas no pré-sal e 275 áreas em outras regiões espalhadas pelo país
Base de Urucu, complexo de produção de petróleo e gás natural da Petrobras no interior do Amazonas. Foto: Divulgação/ Agência Petrobras