O Governo argentino pediu nesta terça-feira (18) que o Brasil aumente suas compras na América do Sul para manter uma balança de troca mais equilibrada e que a região possa se proteger melhor da crise dos países desenvolvidos.
“Todo processo de integração tem seus atritos, mas quando uma delegação brasileira esteve aqui em agosto houve uma compreensão de que o Brasil tem que voltar a comprar no continente”, disse o vice-ministro de Economia da Argentina, Roberto Feletti.
“Há consenso entre os ministros (de Economia sul-americanos) de conservar o mercado regional. Não vai ser fácil, porque cada país protege sua produção, mas avançamos muito nestes anos”, afirmou em nota divulgada pelo site do Governo argentino.
Feletti frisou que “a relação com o Brasil é estratégica para ambos países”, que intercambiam “US$ 43 bilhões em compra e venda” de produtos, mas com um resultado deficitário para a Argentina.
“A troca é muito positiva para ambos países e depende muito das taxas de crescimento das duas nações, mais que dos movimentos” da taxa de câmbio do real e do peso argentino em relação com o dólar, acrescentou.
O vice-ministro fez estas declarações no momento em que os empresários argentinos estão dependentes da evolução do Brasil, já que um menor crescimento econômico do país ou uma forte valorização do real em relação ao dólar pode afetar à indústria local e causar conflitos comerciais.
Além disso, sustentou que a Argentina chega “a 2012 com uma economia que tem todas as velas desdobradas, com o desemprego em baixa, com bom nível de atividade, solvência fiscal, macroeconômica e boa inserção regional”.
“Quando o mundo se contraiu, parou de comprar nossos produtos. Mas a América do Sul continuou comprando”, ressaltou Feletti ao insistir que a Argentina pode “passar pela crise sem dificuldade”.
“Nós esperamos para o ano que vem uma estagnação e não uma recessão. Mas caso o pior aconteça, todas as medidas foram tomadas”, concluiu.