O pior da crise já passou, pelo menos para o Google, que hoje anunciou um crescimento de 27% em seu lucro líquido no terceiro trimestre e um aumento de 7% em sua receita, ambos estagnados desde o começo do ano.
“Achamos que superamos o pior da recessão e nos sentimos confiantes para investir no futuro”, disse Eric Schmidt, executivo-chefe da empresa, insinuando que voltará a contratar mais e investir em novos produtos.
Desde que o faturamento do Google caiu no primeiro trimestre, pela primeira vez em sua história, o site diminuiu consideravelmente suas despesas e cancelou todos os projetos pouco produtivos, buscando focar em suas atividades mais rentáveis.
Frente ao frenético ritmo de contratação que mantinha nos anos anteriores, em 2009 o Google manteve inalterado seu quadro de pessoal e até demitiu funcionários da área de marketing e outros setores.
Porém, como previam os analistas, a empresa foi uma das primeiras empresas a se beneficiar da tímida recuperação econômica e do crescimento dos gastos com publicidade na internet, de onde vem a maior parte da receita do Google.
Segundo os dados anunciados hoje, o lucro líquido da companhia entre julho e setembro cresceu 27% frente ao mesmo período de 2008. Os ganhos, de US$ 1,64 bilhão, foram os maiores registrados em um trimestre nos 11 anos de existência do site. O faturamento, por sua vez, subiu 7%, para US$ 5,94 bilhões.
Dois fatores foram chaves na melhora dos resultados. Por um lado, o número de clicks sobre anúncios nas páginas do Google e de seus parceiros subiu 4% em relação ao trimestre anterior e 14% frente aos mesmos meses de 2008.
Por outro, a quantia paga pelos anunciantes por cada click nos anúncios aumentou 5% na comparação com o período abril-junho, embora tenha permanecido 6% abaixo do valor registrado no ano passado.
O Google informou ainda que seu lucro operacional aumentou em US$ 420 milhões, para US$ 2,070 bilhões, e que, descontadas as comissões que o site paga a seus parceiros, as vendas foram de US$ 4,38 bilhões.
O lucro por ação, de acordo com os números apresentados, foi de US$ 5,89 por título, frente aos ganhos de US$ 4,29 por ação de um ano atrás e os de US$ 5,39 calculados pelos analistas.
Na bolsa, apesar do balanço positivo, os títulos do Google caíram 1,01%, para US$ 529,91. Embora a cotação das ações esteja longe do recorde de US$ 714 registrado no fim de 2008, os papéis do site recuperaram mais de 18% de seu valor desde junho e se valorizaram 79% desde o começo do ano.
O Google também demonstrou estar praticamente imune ao aumento da concorrência, apesar de os investidores terem dito que continuarão atentos ao efeito do Bing, o site de buscas lançado pela Microsoft.
A gigante fundada por Bill Gates investiu muito esforço e dinheiro na criação e na promoção do Bing. Nos últimos meses, a empresa ainda fechou uma parceria publicitária com o portal Yahoo!.
No entanto, a Microsoft segue controlando apenas 10% das buscas na rede, enquanto o Google concentra 64,6% delas nos Estados Unidos.