Menu
Economia

Gastos para manter a máquina pública alcançam R$ 72,7 bilhões em 2025 e batem recorde em nove anos

Despesas administrativas voltam a crescer no terceiro mandato de Lula e pressionam espaço para investimentos em 2026

João Victor Rodrigues

03/02/2026 6h32

Foto: Miguel Schincariol / AFP

Foto: Miguel Schincariol / AFP

Os gastos administrativos do governo federal para manter o funcionamento da máquina pública somaram R$ 72,7 bilhões em 2025, o maior valor registrado em nove anos. Os dados são da Secretaria do Tesouro Nacional e foram corrigidos pela inflação para permitir comparação histórica. A série tem início em 2011.

O levantamento mostra que despesas desse tipo superaram a marca de R$ 70 bilhões anuais durante os governos da ex-presidente Dilma Rousseff, entre 2011 e meados de 2016, período encerrado com o impeachment. Nos anos seguintes, sob as gestões de Michel Temer e Jair Bolsonaro, os valores recuaram, voltando a crescer de forma consistente a partir de 2023, já no terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em 2024, os gastos novamente ultrapassaram o patamar dos R$ 70 bilhões, tendência que se manteve em 2025.

As chamadas despesas de custeio administrativo englobam uma ampla lista de itens necessários ao funcionamento da estrutura pública, como contas de água e energia elétrica, telefonia, serviços de limpeza e vigilância, apoio administrativo e operacional, combustíveis, tecnologia da informação, aluguel de imóveis e veículos, além de diárias, passagens e serviços bancários.

Esse tipo de gasto integra o grupo das chamadas despesas livres do governo, que incluem tanto o custeio da máquina quanto investimentos e outras políticas discricionárias. Pelo arcabouço fiscal, essas despesas estão sujeitas a um limite de crescimento real de até 2,5% ao ano, corrigido pela inflação.

Na prática, porém, o espaço para gastos livres tem sido pressionado pelo avanço das despesas obrigatórias — como benefícios previdenciários, pensões e salários do funcionalismo — que crescem acima desse limite. Com isso, o volume disponível para investimentos e políticas públicas vem sendo progressivamente comprimido.

Dados do Ministério do Planejamento e Orçamento indicam que o governo federal terá uma margem de R$ 129,2 bilhões em 2026 para os gastos livres dos ministérios. Esse montante precisa cobrir tanto as despesas administrativas quanto investimentos e outras ações finalísticas.

Como mais de R$ 70 bilhões desse espaço já são consumidos pelo custeio da máquina pública, sobra menos margem para outras áreas sensíveis, como investimentos em infraestrutura, defesa agropecuária, bolsas de pesquisa do CNPq e da Capes, emissão de passaportes, fiscalização ambiental e do trabalho escravo, manutenção do programa Farmácia Popular, financiamento de universidades federais e funcionamento das agências reguladoras.

O crescimento das despesas administrativas reacende o debate sobre a sustentabilidade do gasto público e o desafio de equilibrar o funcionamento do Estado com a necessidade de ampliar investimentos e políticas essenciais em um cenário de restrições fiscais cada vez mais apertadas.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado