A Federação Única dos Petroleiros (FUP) atribuiu nesta quarta-feira (18) a recente escalada nos preços do óleo diesel a distorções estruturais, como privatizações e margens de lucro abusivas na cadeia de combustíveis. A entidade, que representa 14 sindicatos de trabalhadores da indústria de óleo e gás, destacou a dependência externa e a falta de controle público sobre a distribuição, agravadas pelo conflito no Irã que pressiona os preços internacionais do petróleo.
De acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o preço médio do litro do diesel S10 subiu 12% entre a primeira e a segunda semanas de março, passando de R$ 6,15 para R$ 6,89. O barril do petróleo tipo Brent, referência global, negociava a cerca de US$ 108 (aproximadamente R$ 564) nesta quarta-feira, com alta de 55% em um mês, impulsionada pelo bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irã. Essa via marítima, que transporta 20% da produção mundial de petróleo e gás, foi afetada pela ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, iniciada em 28 de fevereiro.
No último sábado (14), a Petrobras reajustou o diesel A em R$ 0,38, elevando o preço para R$ 3,65 por litro nas refinarias. Segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), esse valor estava 59% abaixo da paridade internacional. A estatal segue uma política de preços desde 2023 que não repassa imediatamente as oscilações globais ao consumidor interno, mas a FUP argumenta que a empresa não controla os aumentos ao longo da cadeia de distribuição.
O governo federal anunciou medidas para mitigar os impactos. Na quinta-feira (12), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva zerou as alíquotas do PIS e da Cofins sobre o diesel e instituiu uma subvenção de R$ 0,32 por litro aos produtores e importadores. Nesta quarta-feira, propôs aos estados a redução a zero da alíquota do ICMS sobre o diesel importado, visando frear a escalada de preços. O Brasil importa cerca de 30% do diesel consumido, o que intensifica a vulnerabilidade às flutuações internacionais.
A FUP criticou especificamente a privatização da BR Distribuidora, vendida no governo anterior à Vibra Energia. Apesar de manterem a bandeira BR até 2029, os postos não pertencem mais à Petrobras, que também assinou um acordo de não concorrência com a compradora. Para o coordenador-geral da FUP, Deyvid Bacelar, enquanto a Petrobras busca proteger o mercado interno, empresas privadas repassam imediatamente as altas ao consumidor.
A diretora da FUP, Cibele Vieira, enfatizou que a Petrobras pode equilibrar preços na refinaria, mas sem distribuição pública, há espaço para aumentos abusivos. O dirigente sindical alertou para os efeitos em cadeia: o aumento do diesel eleva custos de transporte, preços de alimentos e contribui para a inflação geral da economia.
Com informações da Agência Brasil