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Economia

FMI prevê diminuição de crescimento do Brasil e da América Latina

Arquivo Geral

09/04/2008 0h00

O esfriamento econômico dos Estados Unidos debilitará, symptoms mas não estrangulará, a economia do Brasil, que crescerá 4,8% este ano, frente aos 5,4% do ano passado, seguindo assim a tendência prevista para a América Latina, segundo divulgou hoje o Fundo Monetário Internacional (FMI).

A perspectiva de crescimento para 2008 é ligeiramente superior à antecipada em outubro do ano passado, quando o organismo afirmou que a América Latina cresceria 4,3%.

O organismo financeiro destaca em seu último relatório semestral que a tendência representa uma mudança frente a períodos passados, quando os impactos externos tinham maior impacto sobre a região.

Dentre os países analisados, destaque para o crescimento de 7% previsto para Argentina e Peru. O México, por outro lado, está no final, com previsão de crescimento real de 2% em 2008, e de 2,3% para 2009.

O estudo menciona que a melhora nos fundamentos econômicos regionais, como a redução da dívida externa, o aumento das reservas e o fortalecimento dos balanços empresariais e governamentais, permitiram que a América Latina se tornasse mais resistente aos contratempos externos.

Outro fator que beneficiou a região foi o crescimento sustentado de economias emergentes como China e Índia, o que manteve altos os preços das matérias-primas produzidas na região, apesar da desaceleração das economias desenvolvidas.

Augusto de la Torre, economista-chefe do Banco Mundial (BM) para a América Latina, apontou hoje em entrevista coletiva que a recessão nos EUA “é uma fonte importante de preocupação”, mas afirmou que o efeito dessa desaceleração será menos intenso enquanto a China continuar registrando elevadas taxas de crescimento.

“Até nos cenários mais pessimistas, espera-se um crescimento (na China) superior a 9% para 2008”, explicou.

De La Torre destacou também que o crescimento latino-americano está cada vez mais próximo do da China, um fenômeno que aumentou desde 2002 e que, se continuar, poderá diminuir a histórica dependência da região com os EUA.

Essa maior ligação obedece, segundo o economista, ao aumento dos vínculos comerciais e também ao maior investimento chinês no setor de recursos minerais e agrícolas na América Latina.

Apesar do melhor posicionamento da região, o FMI pediu hoje para os governantes latino-americanos se precaverem diante de uma possível deterioração adicional das condições econômicas globais.

“A primeira linha de defesa contra uma maior fraqueza deverá ser a política monetária”, indicou o relatório.

O Fundo acredita que isso é particularmente válido em países como Brasil, Chile, Colômbia e México, que estabeleceram com sucesso metas de inflação que permitiram que as expectativas nessa frente se tornassem mais claras do que no passado.

O organismo financeiro recomenda aos reguladores que se mantenham alertas perante a ameaça inflacionária, “sobretudo perante a possibilidade de rápidos e continuados aumentos nos preços dos alimentos e da energia”.

O Fundo antecipa uma alta dos preços na maioria dos países da região, como o Brasil, onde a inflação deve chegar a 4,8%. Na Argentina, a alta dos preços pode alcançar 9,2%, ao tempo que no Peru deve ser de 4,2%, e na Venezuela, de 25,7%.

Os economistas do FMI acreditam que os países que reduziram suas dívidas públicas a níveis sustentáveis têm agora uma maior margem de manobra, e poderiam se permitir um aumento do déficit, caso se vejam em apuros.

O Fundo recomenda ainda que o maior controle sobre os orçamentos governamentais seja combinado com reformas para melhorar a eficiência dos gastos públicos e a viabilidade dos sistemas de seguridade social.

O relatório lembra os avanços realizados pelo Brasil durante o último ano para impulsionar a reforma tributária, um esforço que se observa também em outros países, como México, Peru e Uruguai.

Mesmo assim, o Fundo afirma que a citada reforma tributária é ainda um “processo em andamento”.

O FMI prevê ainda que a América Central crescerá 4,7% este ano, e 4,6% em 2009. A projeção para o Caribe é de expansão de 4,4% em 2008, e 3,8% no ano seguinte.



 

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