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Economia

FMI elogia Pix e cobra autonomia financeira ao Banco Central

Relatório aponta o sistema financeiro brasileiro como resiliente, mas alerta para riscos cibernéticos, fraudes digitais e limitações na supervisão.

Redação Jornal de Brasília

23/07/2026 17h09

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Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

O Fundo Monetário Internacional (FMI) elogiou o Pix como um dos principais vetores de inclusão financeira, aumento da concorrência e digitalização do sistema bancário brasileiro, mas afirmou ser urgente fortalecer a autonomia financeira e orçamentária do Banco Central (BC) para preservar a capacidade de supervisão diante da expansão do setor.

As conclusões constam no relatório de Avaliação da Estabilidade do Sistema Financeiro (FSSA), divulgado nesta quinta-feira (23). Elaborado em parceria com o Banco Mundial após missões técnicas realizadas no Brasil entre dezembro de 2025 e março de 2026, o documento afirma que o sistema financeiro nacional é resiliente, mas ainda enfrenta desafios ligados à falta de pessoal nos órgãos de supervisão, a limitações legais e à necessidade de fortalecimento institucional.

Na avaliação do FMI, o Pix consolidou-se como um importante instrumento de inclusão financeira, ampliação da concorrência e digitalização do mercado bancário brasileiro. O relatório destaca que o sistema de pagamentos instantâneos acelerou a transformação digital do setor e impulsionou o crescimento dos bancos digitais. Ao mesmo tempo, alerta para o aumento dos riscos cibernéticos e das fraudes digitais, defendendo o reforço da governança do sistema.

Entre as recomendações, o organismo cita a formalização da política de supervisão do Pix e a separação entre as funções operacionais e fiscalizatórias desempenhadas pelo Banco Central. O FMI também diz ser necessário adotar medidas para superar as restrições de pessoal nos órgãos supervisores, conceder plena autonomia orçamentária ao BC, ampliar a proteção jurídica dos servidores e atualizar a legislação sobre resolução de instituições financeiras.

A recomendação ocorre enquanto o Senado analisa a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 65/2023, que concede autonomia financeira ao Banco Central. O texto foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) em junho e aguarda votação no plenário. A proposta transforma o BC em uma entidade pública de natureza especial e é defendida pelo presidente da instituição, Gabriel Galípolo. O projeto, porém, divide governo e servidores.

Apesar das observações, o FMI conclui que o sistema financeiro brasileiro permanece sólido e capaz de absorver choques econômicos. O relatório ressalta a importância da manutenção do regime de metas para a inflação, de instituições robustas e da continuidade das reformas estruturais para preservar a estabilidade financeira do país.

Em nota, o Banco Central afirmou que recebeu o relatório com satisfação e avaliou que o documento contribui para o aprimoramento das políticas econômicas e financeiras. A autarquia também destacou que o FMI reconheceu a evolução do sistema financeiro brasileiro desde 2018, o papel transformador do Pix e a necessidade de fortalecer o arcabouço institucional para garantir recursos, recompor o quadro de servidores e preservar a capacidade de supervisão.

Com informações da Agência Brasil

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