Os dois dirigentes concederam diferentes entrevistas coletivas que antecedem a assembleia semestral do FMI e do BM, que acontece este fim de semana em Washington.
Em seus pronunciamentos, ambos coincidiram em que a crise econômica global reforçou o protagonismo das duas instituições, assim como o dos demais bancos de desenvolvimento.
A crise e as medidas para combatê-la foram o tema escolhido por Strauss-Kahn em seu discurso, no qual admitiu que os pacotes de estímulo fiscal começam a dar resultados e que há indícios econômicos positivos, os quais, no entanto, ainda são poucos.
“Achamos que a crise está longe de acabar”, disse o diretor-gerente do FMI, que acrescentou que haverá “meses longos de dificuldades econômicas pela frente”.
O presidente do BM, por sua vez, afirmou que a entidade chegou à crise “com muito capital”.
“Temos ao redor de US$ 100 bilhões em empréstimos contabilizados em nossos livros, e podemos emprestar de forma segura outros US$ 100 bilhões”, afirmou.
O Banco Mundial espera conceder durante este ano fiscal, que termina em 30 de junho, um total de US$ 35 bilhões em empréstimos, três vezes mais que o habitual.
Caso esta estimativa se confirme, a entidade teria outros US$ 65 bilhões para os próximos dois anos fiscais.
Ainda sobre a crise, estimativas do FMI indicam que a economia mundial terá contração de 1,3% este ano, e que crescerá 1,9% em 2010.
“A boa notícia é que ainda acreditamos que a recuperação pode acontecer no primeiro semestre de 2010”, sempre que os Governos adotem as medidas recomendadas pelo Fundo, afirmou Strauss-Kahn.
O diretor-gerente da instituição ressaltou que a história demonstra que “não haverá recuperação antes que se saneiem os balanços do setor financeiro”.
Da mesma forma, Zoellick insistiu em que é necessário evitar os erros de crises passadas.
“Quando as crises financeiras atingiram a América Latina nos anos 80 e a Ásia nos anos 90, o debate sobre os números silenciou o debate sobre as pessoas”, afirmou o presidente do BM.
Zoellick ressaltou que a América Latina pode criar entre 200 mil e 500 mil empregos para cada US$ 1 bilhão que investe em projetos de infraestrutura, como a manutenção de vias rurais.
Por outro lado, outra recomendação do FMI para combater a crise foi a aprovação de pacotes de estímulo fiscal, mas, na entrevista, o diretor-gerente do Fundo moderou esse conselho.
“Para 2009, o esforço que tínhamos pedido foi feito. Veremos o que é necessário para 2010”, que dependerá da trajetória da economia mundial, segundo o chefe da instituição.
Outro dos temas da reunião ministerial do Grupo dos Sete (as sete nações mais industrializadas) e do Grupo dos Vinte (G20, que reúne os países mais ricos e principais emergentes) e da Assembleia do FMI e do BM neste fim de semana será a quantidade de dinheiro disponível ao Fundo.
Os membros do G20 pediram US$ 500 bilhões adicionais para que o Fundo combata os problemas financeiros dos países-membros que forem registrados durante a crise.
Strauss-Kahn disse que acredita que o valor será alcançado até o fim do ano.
Ainda sobre o G20, Zoellick advertiu contra as tentações protecionistas que se observam entre os países do Grupo.
Além disso, anunciou hoje que o BM investirá US$ 45 bilhões em projetos de infraestrutura nos próximos três anos, US$ 15 bilhões a mais que no triênio anterior, no começo da crise.
Para combater a crise, o FMI destinará parte dos fundos à nova Linha de Crédito Flexível, um programa de empréstimos destinado a países com uma boa política econômica que não os obriga a fazer reformas, como é comum nos acordos com o Fundo.
O México foi o primeiro a receber essa linha, no valor de US$ 47 bilhões, e Polônia e Colômbia também solicitaram crédito à entidade.