O assessor do Departamento do Hemisfério Ocidental do FMI Gilbert Terrier apresentou na cidade de La Paz as conclusões do relatório.
Segundo o FMI, a América Latina sentiu o efeito da crise na elevação do custo do financiamento externo e na diminuição das exportações, remessas e receita proveniente do turismo.
No entanto, o desempenho da região frente à atual crise foi melhor que em recessões anteriores, “em parte devido a melhores políticas, que deram espaço a políticas anticíclicas e sistemas financeiros melhor capitalizados e regulados”, segundo o relatório.
Por isso, os dados da América Latina serão negativos neste ano, mas em menor proporção que nos países industrializados.
Além disso, a região está se recuperando “mais rapidamente” da crise que as nações mais desenvolvidas, de acordo com o FMI.
Terrier reiterou as projeções de recuperação econômica para a região em 2010, de cerca de 2,9% no Produto Interno Bruto (PIB), apesar de ter calculado uma contração de 2,5% para a América Latina neste ano.
“É possível que a projeção para 2009 melhore, porque muitas dessas projeções foram feitas em setembro e nos últimos meses vimos que vários países da América Latina, incluindo o Brasil, estão crescendo mais fortemente do que se pensava no terceiro trimestre”, apontou.
O relatório insiste em que a recuperação da economia mundial “está em andamento”, apesar dos números anuais serem negativos em 2009.
“Estamos saindo da crise e essa é a parte essencial de nossas projeções. A visão do FMI é que a saída é lenta e que é preciso acompanhá-la com políticas apropriadas”, disse.
O relatório do FMI assinala que as perspectivas regionais variam “consideravelmente” de um país para outro, devido à heterogeneidade que caracteriza a América Latina.
Segundo o documento, um dos desafios da região será ajustar suas políticas a um novo marco internacional, no qual o crescimento será menor que o nível alcançado antes da crise e que, por isso, deverá assegurar a luta contra a pobreza e o desenvolvimento econômico.
O segundo desafio é implementar reformas que preparem os países para reagirem melhor diante de colapsos futuros e incorporarem as lições aprendidas nesta crise na supervisão financeira.