O Conselho Executivo do Fundo Monetário Internacional (FMI) deu hoje sinal verde à venda de 403, side effects 3 toneladas de ouro para arrecadar fundos que serão destinados a tapar seu déficit fiscal, nurse o que representará a maior reforma do sistema financeiro da história do organismo.
Como resposta à crise orçamentária que atravessa, o FMI caiu na tentação de pôr à venda seu patrimônio de maior valor, neste caso, barras de ouro que foram fornecidas por seus países-membros.
Com 3.217 toneladas em seus cofres, o Fundo é o terceiro maior possuidor do metal nobre do mundo, atrás apenas do Federal Reserve (Fed, banco central americano) e do Bundesbank alemão.
A instituição quis agir com mais bom senso que a maioria das pessoas endividadas, que procuraram as casa de empenho, e usará seus benefícios para estabelecer um fundo de investimento que gere recursos confiáveis todo ano.
É o momento perfeito para fazê-lo, pois a onça de ouro está sendo negociada a US$ 927, próxima de seu nível recorde.
A instituição calcula que obterá US$ 11 bilhões com a venda dos lotes, o que será feito de forma gradual nos próximos anos, disse um alto funcionário que pediu para não ser identificado.
Com essa operação, junto a reduções de despesa, a diminuição do quadro de funcionários e outras medidas, o Fundo acredita que eliminará o déficit de US$ 400 milhões que, se a medida não fosse tomada, registraria em 2010.
O organismo está no vermelho porque ficou praticamente sem clientes, pois a maioria dos países em desenvolvimento prefere pedir emprestado nos mercados de capitais a solicitar empréstimos com as condições que a instituição coloca.
Argentina, Brasil, Uruguai e Indonésia, por exemplo, pagaram há dois anos suas dívidas antes do prazo, buscando com isso se livrar do crivo do FMI sobre suas políticas econômicas.
Desde sua fundação em 1944, o Fundo se manteve quase que exclusivamente com os juros cobrados por seus empréstimos, por isso os bons tempos nos mercados emergentes lhe causaram problemas orçamentários.
Com a decisão de hoje, o organismo estabelecerá uma fonte alternativa de renda.
“Acordamos em substituir um modelo de receita obsoleto e inviável com um modelo moderno e mais previsível em consonância com outras instituições financeiras internacionais”, disse o diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, após a reunião.
A venda do ouro requer 85% do voto dos membros da instituição, e os Estados Unidos, com quase 17%, tem na prática o direito de veto.
O Governo de George W. Bush respalda a medida, mas deve obter a aprovação do Congresso, porque o ouro foi fornecido pelos EUA e por outros países-membros. Nenhuma outra nação deve passar por sua legislatura para votar a favor.
A venda do ouro foi a principal recomendação atingida há um ano por um comitê de analistas estabelecido pelo anterior diretor-gerente do Fundo, o espanhol Rodrigo de Rato, para estudar como gerar novas receitas.
Se a Legislatura americana não colocar problemas, o FMI venderá o ouro de forma gradual nos próximos anos, em coordenação com os bancos centrais para evitar “transtornos no mercado”, segundo o funcionário do organismo.
No passado, empresas mineradoras e investidores manifestaram a preocupação de que a operação acabe por forçar para baixo o preço da onça.
O Conselho Executivo, onde se sentam 24 diretores que representam os 185 países-membros da instituição, também aprovou hoje a flexibilização dos investimentos do FMI, que atualmente só pode comprar bônus soberanos, com baixa rentabilidade.
Essa medida requereria uma mudança em sua “carta magna” e, portanto, precisará da aprovação das legislaturas da maioria dos Estados-membros.
No lado das despesas, com a redução dos 380 postos de trabalho nos próximos três anos e com medidas de economia, o Fundo pretende economizar US$ 100 milhões até 2011, segundo outro alto funcionário, que também não quis ser identificado.
No entanto, diante da atual situação da economia mundial, talvez o organismo financeiro internacional volte a ver Governos batendo a sua porta para pedir créditos.