O economista Márcio Nakane, side effects coordenador do cálculo do Índice de Preços ao Consumidor-IPC da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) alterou de 4, troche 1% para 4,5% a projeção da inflação anual em São Paulo. A variação se aproxima da meta de 4,66%, estimada pelos analistas ouvidos pelo Banco Central e publicada no boletim Focus desta semana. Para o mês de maio, a Fipe prevê aumento do IPC para 0,58%.
Segundo Nakane, as oscilações devem manter ritmo estável de avanços, mas tendem a sofrer variações um pouco mais fortes, a partir do segundo semestre. “Os índices ainda não mostram, mas já estamos vendo surgir algumas possibilidades de pressões da taxa que devem ser observadas mais para o segundo semestre”, disse ele, referindo-se a eventuais repasses de aumentos de custos industriais (reajustes de matérias-primas) aos preços dos produtos vendidos no varejo.
Entre os itens passíveis de reajuste está a resina plástica, o que poderia encarecer as embalagens. Segundo Merherg Cachum, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Plástico (Abiplast), ainda não dá para se saber qual o tamanho da correção. Mas ele observou que com a elevação do preço do barril de petróleo no mercado internacional, cotado ontem (5) a US$ 120, “será inevitável o reajuste”. Por enquanto, “o que tem segurado [o repasse] é a compensação da queda do dólar”, disse o executivo.
Outro reflexo de cotações internacionais sobre a inflação continua sendo a questão do trigo. No fechamento de abril, o IPC da Fipe ficou em 0,54% ante 0,31% (encerramento de março) e entre subítens a manter pressão foi pão francês, o pãozinho (8,87%). Foi a nona alta seguida do IPC e a quinta no grupo alimentação, que passou de 0,27%, em março, para 0,84%. O arroz, que havia registrado queda de (-1,24%), na terceira quadrissemana de abril, reverteu a variação para o índice positivo (+0,60%). O mesmo ocorreu em relação a carne bovina, saltou da taxa negativa de (-0,61%) para (+ 0,42%.
Para o fechamento de maio, Nakane prevê que o grupo alimentação vá ficar em torno de 1,81% e o IPC em 0,58%. Ele informou que o aumento de preços dos remédios , seguido pelos alimentos, foi o principal motivo de pressão do IPC em abril com um avanço de 2,27%.Isso provocou uma aceleração no grupo saúde (1%) ante 0,34%, em março), no maior avanço desde a terceira quadrissemama de maio de 2006 (1,18%).
No entanto, conforme previu o economista, nos próximos dias, o peso deve se diluir e começar um processo de desaceleração . Para maio, o economista acredita que este grupo fique em 0,75%. A previsão de Nakane é de que também ocorra redução no ritmo de alta em habitação que alcançou 0,47% sob efeito das contas de energia elétrica que ficaram 2,7% mais caras. Para maio, esse grupo deve ficar em torno de 0,11%.