Menu
Economia

Fiado: uma relação de confiança

Arquivo Geral

06/06/2009 0h00

Cada vez mais raros no Plano Piloto e nas grandes regiões metropolitanas, medications os comércios que mantém o velho caderninho de anotações, ailment o famoso fiado, capsule ainda sobrevivem em várias regiões administrativas do Distrito Federal, onde a vizinhança é toda conhecida. São nestes lugares que comerciantes o utilizam como aliado para fidelizar a clientela e manter baixo o índice de inadimplência, como é o caso de Raimundo Menezes, que há 17 anos mantém um mercado em São Sebastião, sem abrir mão da caderneta de clientes que compram para pagar depois. “A gente conhece toda a vizinhança aqui. Então, no geral, a maioria não deixa de pagar a dívida, porque sabe que vai precisar do crédito novamente”, diz ele.


Segundo Menezes, nos últimos anos, o número de clientes que ainda opta por esta forma de pagamento diminuiu consideravelmente por causa das facilidades de acesso aos cartões de crédito e talões de cheque. Mas ele garante que tem uma cliente bastante fiel. “Por isso que eu nem penso em cortar a caderneta, porque seria injusto com alguns clientes que há muitos anos compram assim e sempre pagam direitinho. Tenho muitos clientes bons assim”, reforça.


Um destes clientes é o vigilante Francisco Teixeira, que compra fiado no comércio de Menezes há 17 anos, desde quando se mudou para São Sebastião. Ele não abre mão da conta no caderninho e chega a pendurar mensalmente cerca de dois salários mínimos em compras de mercado. As vantagens apontadas por Francisco são a proximidade do comércio com o local onde mora, e a maior possibilidade de negociar o pagamento diretamente com o proprietário do comércio.

Cultura
“Como a maior parte da alimentação aqui de casa eu compro no mesmo mercado, eles já me conhecem e quando eu preciso, pago o caderninho com um cheque para ganhar mais um prazo ainda”, conta. Segundo ele, a prática do fiado já faz parte da cultura da família.
“Desde sempre convivi com isso. Antes, quando era dono de comércio vendia fiado, hoje só compro”, lembra Francisco, que já foi comerciante e concorrente de Menezes. E é dentro desta relação de confiança entre vizinhos que a cultura do fiado persiste e se mantém com as mesmas vantagens e desvantagens das formas mais modernas de crédito.


De acordo com dados do Banco Central, a taxa de inadimplência para créditos regulamentados às pessoas físicas no Brasil, alcançou cerca de 8,3% do total de créditos atrasados há mais de 90 dias. Um percentual muito próximo do prejuízo calculado por Menezes em seu estabelecimento. “Entre levar o calote no cheque de uma pessoa desconhecida ou levar na caderneta prefiro a segunda opção, pois tenho como cobrar e manter o meu cliente fiel”, conclui.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado