ADRIANA FERNANDES E FÁBIO PUPO
FOLHAPRESS
O FGC (Fundo Garantidor de Crédito) quer ser responsável por uma parte limitada do empréstimo que pode vir a conceder ao BRB (Banco de Brasília) na tentativa de reestruturação da estatal após o rombo com as operações ligadas ao Master, segundo três pessoas envolvidas nas conversas. A parcela restante viria de um consórcio de bancos.
A condição tem sido expressa em conversas reservadas com o atual comando do BRB, após o FGC já ter precisado bancar em até R$ 46,9 bilhões os investidores afetados pela liquidação do Master e do Will Bank, instituição financeira que também fazia parte do conglomerado de Daniel Vorcaro. Agora, com a estratégia de crédito compartilhado com os bancos privados, o objetivo do fundo é mitigar o risco de ter que destinar mais recursos aos problemas causados pelo Master.
De acordo com pessoas ouvidas pela reportagem, as conversas mais atualizadas apontam que os gestores do fundo aceitam contribuir com, no máximo, uma cota equivalente ao mesmo valor a ser destinado por cada um dos bancos participantes da operação.
Segundo gestores do BRB, a expectativa era que o fundo aceitaria participar com até 50% da operação total -enquanto o consórcio de bancos ficaria, de forma somada, com outros 50%. Esse vinha sendo o plano da nova gestão do banco do governo do Distrito Federal.
A fatia do FGC faz diferença para o BRB porque pode ter condições mais favoráveis que as do mercado em geral. Os valores totais, no entanto, ainda estão em estudo e dependem de diferentes variáveis.
Apesar da discussão sobre o percentual de participação do FGC, no BRB é defendida a ideia de que talvez o banco estatal nem precise do crédito. O tamanho do empréstimo e a avaliação sobre a necessidade dele podem ser influenciados, por exemplo, pela venda de carteiras de crédito, além de imóveis e outros ativos. O banco também pode receber um aporte do controlador, o Distrito Federal.
Há a visão de parte dos envolvidos, principalmente do banco estatal, de que os bancos privados teriam interesse na operação, inclusive para a manutenção da estabilidade financeira.
Por outro lado, o BRB tem parte de seus números não muito distantes daqueles registrados pelo Master, que era visto como uma instituição financeira sem impacto sistêmico, como já expressou publicamente o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
Segundo os últimos dados disponíveis no BC, o Master era o 18º maior banco do país em ativos em março, com R$ 86,8 bilhões, à frente do BRB, que era o 21º conglomerado financeiro. Em termos de carteira de crédito, porém, o BRB tinha R$ 53,9 bilhões, ante R$ 25,8 bilhões do banco de Vorcaro.
O FGC tem como missão contribuir para prevenir crises bancárias sistêmicas, pagando garantias e fazendo operações de assistência com as instituições financeiras associadas. O fundo oferece a elas apoio para superar restrições temporárias de liquidez, corrigir problemas de insuficiência de capital ou viabilizar saídas organizadas do mercado.
Nesta semana, o Banco Central indicou que deve incluir a revisão de regras do FGC na lista de entregas para este ano ou início de 2027. A informação foi dada por Gilneu Vivan, diretor de regulação e de organização do sistema financeiro e resolução do BC.
Ele não deu mais detalhes, mas o BC já vinha estudando mudanças para atacar um dos pontos vistos como cruciais para turbinar as captações do Master: a remuneração de assessores financeiros na venda de títulos bancários, o que impulsionou a venda de títulos (como CDBs) que usavam o FGC como garantia.
Por causa dos montantes envolvidos, o FGC se tornou um dos protagonistas do noticiário envolvendo o caso Master. Com a fraude, ficou responsável por pagar o maior resgate de investidores da história do FGC.