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Economia

FGC inicia pagamento a investidores do Banco Master

Segundo pessoas a par do processo, o início do pagamento demorou mais que o usual dada a magnitude do caso

Redação Jornal de Brasília

17/01/2026 10h25

banco masterr

Foto: Divulgação

JÚLIA MOURA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

O FGC (Fundo Garantidor de Créditos) começou a pagar neste sábado (17) a garantia dos valores que investidores tinham no Banco Master. Quem adquiriu títulos como CDBs (certificados de depósitos bancários) ou tinha dinheiro em conta corrente pode solicitar o resgate do valor garantido pelo fundo.

Foram 60 dias entre a liquidação do Master, em 18 de novembro de 2025, e a liberação das garantias.

Segundo pessoas a par do processo, o início do pagamento demorou mais que o usual dada a magnitude do caso.

Em comunicado ao mercado, o diretor-presidente do FGC, Daniel Lima afirmou que o tamanho da operação, que custará R$ 40,6 bilhões e será o maior resgate da história da instituição, impactou o tempo necessário para a conclusão dos trabalhos.

“A equipe do liquidante, com apoio do time do FGC, trabalhou incansavelmente, dias, noites e finais de semana, para gerar os arquivos no menor tempo possível”, disse Lima.

Ele também alertou para possíveis tentativas de golpes durante a liberação dos valores.

A liquidação da instituição foi decretada pelo Banco Central devido a uma “grave crise de liquidez” e por “graves violações às normas” que regem a atividade das instituições integrantes do SFN (Sistema Financeiro Nacional).

Investigações apontam que a instituição de Daniel Vorcaro -que foi preso ao tentar deixar o país em um jato particular, mas solto dias depois mediante uso de tornozeleira eletrônica- teria se beneficiado de operações financeiras simuladas, uso de laranjas e atribuição artificial de preços a ativos sem liquidez.

Apesar do montante de R$ 40,6 bilhões, a avaliação de especialistas é que o caso não traz risco para o sistema financeiro, uma vez que o FGC tem R$ 122 bilhões em caixa.

Até então, o maior desembolso do fundo havia sido no caso do Bamerindus, em 1997, que gerou cerca de R$ 20 bilhões em valores atuais em garantias.

Nestes dois meses de espera, investidores do Master acabaram perdendo dinheiro. Isso porque as aplicações foram paralisadas com a liquidação da instituição no ano passado, e o valor a ser ressarcido pelo fundo é o que constava como saldo em 18 de novembro, sem correção pela inflação ou pela taxa Selic.

Segundo o FGC, o valor que os investidores vão receber inclui os rendimentos da aplicação (correção e juros) até a data de liquidação calculados conforme a contabilização do banco, mas sempre respeitando o limite de R$ 250 mil.

O valor máximo coberto pelo FGC é de R$ 250 mil por pessoa física (CPF) e jurídica (CNPJ). Entram na lista de investimentos garantidos:

  • Depósitos à vista ou sacáveis mediante aviso prévio;
  • Poupança;
  • Depósitos a prazo, com ou sem emissão de certificado, como CDB e RDB;
  • Depósitos mantidos em contas não movimentáveis por cheques destinadas ao registro e controle do fluxo de recursos referentes a prestação de serviços de pagamento de salários, vencimentos, aposentadorias, pensões e similares;
  • LC (letra de câmbio);
  • LH (letra hipotecária);
  • LCI (letras de crédito imobiliário);
  • LCA (letras de crédito do agronegócio);
  • LCD (letras de crédito do desenvolvimento);
  • Operações compromissadas que têm como objeto títulos emitidos, após 8 de março de 2012, por empresa ligada.

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