THIAGO BETHÔNICO
FOLHAPRESS
O ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB), disse nesta terça-feira (10) que as ferrovias devem ser o grande destaque da agenda de leilões do governo federal em 2026.
Durante evento do BTG Pactual, Renan afirmou que sua pasta prevê a execução de 20 certames neste ano, sendo oito do setor ferroviário e o restante de rodovias.
“A malha ferroviária certamente será a vedete. Com a saída de algumas rodovias que eram ativos principais, aumenta a atratividade relativa de ferrovias. Acredito que ampliar ferrovias é um destino fundamental para o desenvolvimento, sobretudo no Brasil central.”
Embora em número menor do que os leilões de rodovias previstos para este ano, a simples retomada da agenda de concessões de ferrovias já representa um marco. O setor vive um apagão de novos projetos há anos. Isso porque, além de ser uma infraestrutura mais cara, a concorrência com o modal rodoviário jogou em desfavor dos trilhos.
A última concessão foi feita em 2021, no governo de Jair Bolsonaro, referente a um trecho da Fiol (Ferrovia de Integração Oeste-Leste).
Para enfrentar a paralisia no setor, o Ministério dos Transportes prepara oito leilões, cobrindo mais de 9.000 quilômetros de extensão e com potencial de movimentar R$ 140 bilhões em investimentos.
Segundo Renan, a retomada dos projetos de ferrovias tem relação com a expansão do agronegócio no Brasil e com a necessidade de escoar a carga do Centro-Oeste para os portos.
“Só o que cresceu a produção de soja nessa última safra, se esse crescimento fosse um país, ele seria o quatro maior produtor de soja do mundo. Esse é o tamanho da produção agrícola nacional”, disse.
Durante o evento, o ministro destacou a agenda de concessões de infraestrutura durante o governo Lula.
Como mostrou a Folha, o atual mandato do presidente chegou ao fim de 2025 com o maior volume de leilões da história do Brasil, com 50 leilões de rodovias, portos e aeroportos. O número supera os projetos executados durante as gestões de Jair Bolsonaro e Fernando Henrique Cardoso.
Segundo ele, a agenda está tão aquecida que não existe mais data na B3 para marcar leilão. “[Está] Mais ou menos como salão de festas para casamento, que no Brasil é uma luta; tem que marcar com dois anos de antecedência”, afirmou o ministro, em tom de brincadeira.
Renan disse também que a expectativa do governo é concluir o atual mandato com 35 leilões de rodovias e ferrovias, com R$ 400 bilhões contratados.
“O Brasil está em máxima histórica de investimento em infraestrutura e isso, certamente, vai significar mais crescimento econômico adiante”, afirmou.
Segundo ele, desde 2007 o Brasil não tinha no setor de rodovias a entrada de uma companhia estrangeira. Além disso, o segmento nunca havia recebido recursos de fundos soberanos de outros países.
“Tudo isso agora começou a migrar para o Brasil. Dos últimos 22 leilões de rodovias, tivemos 16 vencedores diferentes; 7 companhias internacionais investindo.”