O presidente do Federal Reserve (Fed, dosage banco central dos Estados Unidos), Ben Bernanke, disse hoje que não acha necessária a nacionalização de grandes bancos do país, como o Citigroup, para assegurar sua viabilidade.
“Não precisamos adquirir uma participação majoritária para colaborar com os bancos”, afirmou o responsável pela autoridade monetária americana em comparecimento semestral perante o Congresso, que seguirá amanhã.
“Não vejo razão para destruir o valor da franquia ou criar as enormes incertezas legais derivadas de tentar nacionalizar formalmente os bancos quando não é necessário”, acrescentou o presidente do Fed à Comissão Bancária do Senado.
As declarações de Bernanke foram feitas em um momento em que se especula que o Citigroup poderia pedir ao Governo que converta as ações preferenciais que o Departamento do Tesouro possui em papéis ordinários, o que, se fosse concretizado, daria ao Estado uma participação de 40% na entidade.
Para Bernanke, o que o Governo pode fazer é assegurar que os bancos tenham o capital necessário para operar e, ao mesmo tempo, exercer controles para que adotem as medidas corretas para garantir sua viabilidade a longo prazo.
O Governo americano começará amanhã a avaliar os 19 maiores bancos do país para ter uma ideia melhor dos níveis adicionais de capital que seriam requisitados se a crise se agravar além do esperado.
Bernanke reconheceu hoje que os bancos poderiam precisar de mais ações ordinárias para conseguirem manter seus níveis de empréstimos se a situação atual continuar piorando.
Se a análise determinar que as firmas precisam de mais capital, estas poderiam tentar primeiro arrecadá-lo no setor privado e buscar, depois, a ajuda do Governo através da conversão das ações preferenciais que o Executivo tiver nos bancos em títulos ordinários.
Isso reduziria o volume de dívida de bancos como o Citigroup, no qual o Governo tem ações preferenciais no valor de US$ 45 bilhões, e reforçaria sua base de capital.
A medida, no entanto, prejudicaria os acionistas atuais, porque o Citigroup teria que emitir mais títulos ordinários, o que diminuiria o valor dos que estão no mercado.