O presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), Ben Bernanke, anunciou hoje que o organismo reforçará as regras de supervisão dos grandes bancos do país e vigiará mais de perto as instituições menores.
O objetivo é tentar evitar uma crise financeira como a de há cerca de um ano, que deixou a economia americana à beira do colapso.
“Não faz muito mais que um ano que nós e nossos parceiros internacionais enfrentamos a crise financeira mais severa desde a Grande Depressão dos anos 30”, lembrou hoje Bernanke, durante um discurso feito em Chatham, no estado americano de Massachusetts.
Para que a crise não se repita, o banco central americano participa de uma série de “esforços conjuntos” para assegurar que as instituições “grandes e críticas do ponto de vista sistêmico” tenham “mais capital e de maior qualidade”.
Bernanke lembrou que o Financial Stability Board, um organismo de supervisão internacional formado por altos funcionários de instituições de diferentes países, solicitou “standards de capital significativamente maiores”.
O presidente do Fed ressaltou, além disso, que o Grupo dos Vinte (G20, formado pelos países ricos e os principais emergentes) se comprometeu a “desenvolver regras para melhorar a quantidade e qualidade do capital bancário”.
Os esforços conjuntos citados buscam também melhorar as práticas de gestão, os sistemas de manejo da liquidez mais robustos, as estruturas de compensação que levem a assumir riscos “apropriados” e um tratamento justo aos consumidores.
Além disso, o Fed está adotando medidas para “reforçar a supervisão e o cumprimento das normas”, que deveriam ajudar a “antecipar e mitigar” as ameaças à estabilidade financeira.
Com esse fim, o banco central americano estuda ampliar para outras instituições os “testes de resistência” que aplicou nos 19 maiores bancos do país. Em maio, o Fed divulgou os resultados de dois meses e meio de uma análise exaustiva dos balanços dos maiores bancos americanos.
A autoridade monetária concluiu na época que dez desses 19 bancos necessitavam juntos cerca de US$ 75 bilhões adicionais para reforçar seu capital.
Bernanke disse hoje que diante do “êxito” da iniciativa, o Fed planeja realizar análises “mais frequentes, mais amplas e mais exaustivas”.
O objetivo é detectar tanto riscos gerais quanto específicos, assim como problemas relacionados com a gestão das instituições.
“São necessárias medidas adicionais para assegurar que todas as organizações bancárias tenham o capital adequado”, insistiu o presidente do Fed.
Durante seu discurso, pediu também rapidez ao Congresso para aprovar uma reforma das regulações financeiras.
“Com a crise financeira diminuindo de força, agora é o momento que os legisladores devem adotar medidas para reduzir a probabilidade e a intensidade de qualquer crise futura”, afirmou.
O Fed e o Departamento do Tesouro anunciaram ontem grandes cortes nos salários de diretores das sete empresas que receberam uma ajuda multimilionária do Governo americano para superarem a crise.
São elas Citigroup, Bank of America, American International Group, General Motors, GMAC, Chrysler Group e Chrysler Financial.
“Embora os reguladores possam fazer muito para melhor a regulação e supervisão financeira, o Congresso também deve atuar”, disse.