LEONARDO VIECELI
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS)
As 27 capitais responderam por 28,3% do PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil em 2023, indicam dados divulgados nesta sexta-feira (19) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Isso representa um ganho de participação de 0,8 ponto percentual ante 2022. Naquele ano, a fatia das capitais na economia nacional havia recuado para a mínima da série histórica (27,5%).
Apesar da alta no período mais recente, as metrópoles ainda não reverteram a tendência de queda na participação em uma comparação mais longa.
O resultado de 2023 (28,3%) está 3,1 pontos percentuais abaixo do registrado em 2019 (31,4%), no pré-pandemia. Também é 7,8 pontos percentuais menor que o do início da pesquisa, em 2002 (36,1%).
O ganho das capitais em 2023 foi o primeiro desde 2015. Alessandra Poça, gerente de contas regionais do IBGE, disse que o resultado refletiu o “alinhamento” de dois fatores.
O primeiro é a recuperação do setor de serviços após as restrições da pandemia. Essa retomada beneficiou principalmente os grandes centros urbanos.
A segunda questão, conforme Alessandra, é a perda de participação da indústria extrativa no PIB. O ramo, que inclui petróleo e minério de ferro, foi afetado pela redução dos preços de commodities em 2023, indicou o IBGE.
“Essas atividades [extrativas] são realizadas em municípios que não são capitais”, afirmou Alessandra.
ECONOMIA VEM DE DESCONCENTRAÇÃO
Conforme o IBGE, a economia brasileira vem de um processo de desconcentração ao longo da série histórica. Ou seja, parte da geração de riquezas do país migrou das capitais para o interior.
Os municípios que não são capitais responderam por 71,7% do PIB nacional em 2023, acima dos 63,9% de 2002. O ganho de participação em 21 anos ocorreu em meio ao avanço de setores como o agronegócio e a indústria extrativa nesse período.
Apesar da alta das capitais na passagem de 2022 para 2023, falar em uma reversão da tendência de desconcentração da economia seria um “diagnóstico apressado”, avaliou Luiz Antonio do Nascimento de Sá, analista do IBGE.
“Mesmo com o acréscimo de participação das capitais [ante 2022], a gente observa que o patamar ainda está inferior ao primeiro ano da pandemia”, disse.
Ele se refere à comparação com 2020. Naquele ano, que marcou o início da crise sanitária, a fatia das capitais no PIB era de 29,7%. Trata-se de um patamar 1,4 ponto percentual superior ao de 2023 (28,3%).
Na comparação mais longa, de 2002 com 2023, o IBGE afirmou que Porto Velho e Maceió foram as únicas capitais que ganharam participação na economia nacional.
Segundo o instituto, a operação de hidrelétricas na cidade do Norte e de indústrias de transformação no município do Nordeste ajuda a explicar os resultados.
UM QUARTO DO PIB ESTÁ EM DEZ CIDADES
São Paulo, principal economia do país, teve o maior ganho de participação na passagem de 2022 para 2023. O aumento foi de quase 0,4 ponto percentual.
Com isso, a capital paulista passou a representar 9,7% do PIB. Rio de Janeiro (3,8%) e Brasília (3,3%) vieram na sequência.
Conhecida pela ligação com o petróleo, Maricá (RJ) apareceu depois, com 1,2% do PIB, mesmo patamar de Belo Horizonte e Manaus.
Curitiba (1,1%), Osasco (1,1%), Porto Alegre (1%) e Guarulhos (0,9%) completaram a lista dos dez primeiros colocados do país. Esses dez locais concentraram cerca de um quarto da economia nacional em 2023.
Embora esteja entre os destaques da lista, Maricá foi a cidade brasileira com a maior perda de participação ante 2022. A redução foi de 0,4 ponto percentual em 2023.
Niterói (RJ) e Saquarema (RJ) vieram na sequência, com perdas de 0,2 ponto percentual cada. Ilhabela (SP) e Campos dos Goytacazes (RJ) completam a lista dos cinco principais recuos em participação, com baixas de 0,1 ponto percentual cada.