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Economia

Ex-governador de MT acusa Banco Master de fraudes em consignados

Pedro Taques denuncia esquema que enganou servidores públicos durante depoimento na CPI do Crime Organizado.

Redação Jornal de Brasília

25/03/2026 13h31

banco masterr

Foto: Divulgação

O ex-governador de Mato Grosso, Pedro Taques, acusou o Banco Master de coordenar fraudes em créditos consignados no estado durante depoimento na CPI do Crime Organizado nesta quarta-feira (25). Segundo Taques, o banco liderava uma rede de instituições financeiras que enganavam servidores públicos para assinarem contratos, dificultavam o acesso a informações e atuavam sem autorização do Banco Central.

Taques relatou que, a partir de novembro de 2024, investigou o banco como advogado de sindicatos de servidores. Ele afirmou que 45 mil servidores do estado possuem consignados em empresas satélites ligadas ao Master, com aposentados tendo até 60% da renda comprometida por juros de 4% a 5%. Muitos servidores teriam múltiplos contratos com instituições que usam nomes semelhantes a bancos, como Clickbank e BK Bank, criando uma falsa impressão de seriedade.

O ex-governador citou 14 instituições que venderam ao Banco Master o direito de receber devoluções de empréstimos, que foram repassados ao Banco de Brasília (BRB) por um valor inflado. Ele apontou que uma única instituição cobrou quase R$ 150 milhões de servidores em nove meses. O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI, destacou que o esquema envolveu corrupção no poder público, alcançando pelo menos 23 unidades da Federação e mais de 160 prefeituras, com descontos diretos na remuneração dos servidores.

Taques criticou o aumento da margem de comprometimento de salários para consignados em estados como Bahia, Mato Grosso, Roraima, Alagoas, Minas Gerais, Acre, Espírito Santo e Sergipe, cujos decretos apresentam textos e datas semelhantes. O presidente da comissão, senador Fabiano Contarato (PT-ES), questionou se houve articulação entre governos, ao que Taques respondeu que a suspeita merece análise.

Em outra acusação, Taques alegou que o Banco Master transferiu R$ 308 milhões de devoluções de impostos cobrados indevidamente para empresas ligadas a aliados do atual governador, Mauro Mendes. O valor, originalmente destinado à Oi, foi vendido a um terceiro e depositado em fundos geridos pelo banco, como Royal Capital e Lotte Word, que ele descreveu como mecanismos para lavagem de dinheiro. Taques criticou a fiscalização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Senadores questionaram o contexto político das denúncias, destacando a rivalidade entre Taques e Mendes, pré-candidatos ao Senado. Taques foi governador de Mato Grosso entre 2015 e 2018, perdendo a eleição para Mendes. A senadora Margareth Buzetti (PP-MT) indagou sobre possíveis mágoas, enquanto o senador Wellington Fagundes (PL-MT) elogiou a profundidade da investigação de Taques, contrastando com a dos órgãos estaduais.

A ex-namorada de Daniel Vorcaro, Martha Graeff, não compareceu à sessão apesar de convocações e pode ser alvo de condução coercitiva, segundo Contarato. Ela possivelmente está nos Estados Unidos.

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