O ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, depôs à Polícia Federal nesta sexta-feira (28) em inquérito sobre suposta corrupção de servidores do Banco Central. Segundo sua defesa, ele negou ter cometido o crime e demonstrou disposição de fazer delação premiada.
No depoimento, Vorcaro respondeu a questionamentos sobre os fatos investigados. A defesa afirma que ele ofereceu esclarecimentos sem deixar dúvidas pendentes e reafirmou disposição de colaborar de forma mais ampla se autorizado a delatar.
Este é o primeiro depoimento de Vorcaro desde que duas propostas de delação premiada foram recusadas. Ele agora é representado pelos advogados Sérgio Leonardo e Daniel Bialski.
As investigações indicam que Vorcaro mantinha contato frequente com dois servidores do Banco Central responsáveis pela supervisão bancária: Paulo Sérgio Neves de Souza, chefe-adjunto do Departamento de Supervisão Bancária, e Belline Santana, chefe do mesmo departamento. Segundo a Polícia Federal, ambos prestavam consultoria informal e contínua ao controlador do Banco Master.
Paulo Sérgio teria atuado como uma espécie de consultor, fornecendo orientações estratégicas sobre processos administrativos do Banco Master e sugerindo abordagens para reuniões com dirigentes do Banco Central. Documentos mostram que ele chegou a revisar minutas de textos antes de sua apresentação à autarquia, atividade considerada incompatível com suas funções de fiscalização.
Vorcaro recebeu do próprio Paulo Sérgio uma imagem da portaria de sua nomeação para chefe-adjunto de Supervisão Bancária. Em resposta, enviou uma mensagem com a palavra “Parabéns”.
Belline Santana manteve interlocução semelhante com Vorcaro, participando de discussões sobre temas regulatórios e analisando antecipadamente documentos destinados ao Banco Central.
A investigação identificou ainda a utilização de contratos simulados de consultoria para conferir aparência de legalidade a repasses financeiros aos servidores. As propostas contratuais eram formalizadas por meio de empresas intermediárias.