FOLHAPRESS
Em meio à guerra no Irã e à disparada no preço do petróleo, o Fed (Federal Reserve, o BC dos EUA) decidiu manter a taxa de juros entre 3,5% e 3,75%, nesta quarta-feira (18), pela segunda reunião consecutiva.
A decisão já era esperada por analistas que aguardam agora o comunicado de política monetária para saber qual é a postura do Fed frente um conflito sem prazo para terminar, que levou o preço do petróleo em 9 de março ao seu maior patamar em quatro anos e catapultou o preço médio da gasolina e do diesel, que subiram mais de 25% na comparação com o valor antes da guerra.
Economistas dizem que os impactos domésticos e globais dependem de quanto tempo a guerra vai durar, da estrutura de qualquer governo iraniano que surja ao final dela e se os preços do petróleo subirão ainda mais além de US$ 100 por barril ou se recuarão logo para os níveis anteriores à guerra, abaixo de US$ 80. Nesta quarta-feira, o preço do Brent, referência mundial, chegou a US$ 109,95.
Além do combustível, vários outros preços podem aumentar no país: as companhias aéreas começaram a alertar sobre a alta dos custos de viagem com a elevação do preço do combustível de aviação, e uma autoridade da Casa Branca disse que os EUA estavam buscando outras fontes de fertilizantes agrícolas para evitar impactos nos alimentos.
À medida que os consumidores lidam com os preços mais altos relacionados ao petróleo, eles podem cancelar compras ou tentar reduzir totalmente os gastos, enquanto os parceiros comerciais dos EUA na Europa enfrentam um choque inflacionário ainda mais acentuado.
Os dados mais recentes mostraram que a inflação desacelerou em janeiro, mas o total acumulado em 12 meses subiu de 2,8% para 2,9%. O desemprego subiu para 4,4% em fevereiro, com uma redução de 92 mil postos de trabalho no mês.
Ao mesmo tempo, o Fed deve enfrentar novas cobranças do presidente dos EUA, Donald Trump, que teme os efeitos econômicos em sua campanha nas eleições de meio de mandato marcadas para novembro.
Diane Swonk, economista-chefe da KPMG, afirmou na semana passada que o momento parece propício para que as projeções atualizadas do Fed se movam em uma direção estagflacionária. Ela disse que espera que uma inflação e desemprego mais altos sejam previstos para o final deste ano, e que a perspectiva para a taxa de juros divida os integrantes do banco central dos EUA.
“As previsões estão sendo feitas em meio a uma nuvem de incerteza. Eu esperaria que os participantes da reunião reduzam suas avaliações de crescimento, enquanto aumentam suas estimativas de inflação e desemprego”, apontou Swonk.
A guerra do Irã marca o segundo choque potencialmente estagflacionário que Trump provocou nas perspectivas do Fed, já que, há um ano, os banqueiros centrais também consideraram as propostas tarifárias do novo governo como um golpe tanto para o crescimento quanto para os preços.
Embora o impacto inicial das tarifas de importação não tenha sido tão severo quanto o esperado, as empresas disseram que ainda estão no processo de repassar os custos mais altos, fato que já fez com que as autoridades, na reunião de 27 e 28 de janeiro do Fed, discutissem a possível necessidade de aumentos nos juros em vez de cortes.