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Economia

Escritora lança livro sobre empreendedorismo ‘Para Ser Grande’

Arquivo Geral

29/03/2010 8h16

Lara Cristina

lara.cristina@jornaldebrasilia.com

Depois de conhecer pessoas com bagagem inspiradora no ponto de vista do empreendedorismo, a jornalista e pesquisadora Marina Vidigal lança o livro Para Ser Grande. A obra compila histórias de vida de 20 grandes empreendedores brasileiros, cada um com uma trajetória pessoal e profissional diferente, mas que em comum: galgaram o sucesso ao longo de anos de luta. “Me dei por satisfeita quando cheguei aos 20 nomes. Esse número permitiu que tivéssemos uma importante diversificação, sem que a obra se prolongasse demais”. A autora fez questão de destacar, além do lado empresarial, o lado humano e as virtudes que proporcionaram aos protagonistas tornarem-se vencedores naquilo que se propuseram a realizar. “Mais do que histórias de conquistas profissionais, eu queria revelar trajetórias de sucesso que tivessem significativas virtudes como principal alicerce”, conta Marina nesta entrevista exclusiva ao Jornal de Brasília.

 

De onde surgiu a ideia que lhe incentivou a escrever o livro Para Ser Grande? Quando e como isso aconteceu?

A ideia inicial, que me foi proposta pelo jornalista Marcelo Duarte, era escrever um livro que falasse das virtudes dos vencedores. Na medida em que fazia um levantamento desses vencedores, me encantei com suas histórias. Nomes como Ozires Silva (personagem-chave na criação da Embraer), Luiz Sebastião Sandoval (há quase 30 presidente do Grupo Silvio Santos), Ivan Zurita (presidente da Nestlé) e Abraham Kasinsly (fundador da Cofap e da Kasinski Motos) me encantaram não apenas por suas virtudes pessoais, mas pelos incríveis caminhos que percorreram em busca de seus objetivos. Decidi, então, revelar as realizações daqueles personagens e, mais que isso, desvendar a origem das principais qualidades que os conduziram em suas trajetórias. O livro, portanto, além de falar de grandes homens e realizações, reserva um importante espaço para sua infância, formação, principais escolas, valores e influências.

Quem é o público-alvo do livro?

Digo que Para Ser Grande é um livro para pessoas”, brinca. “É impossível alguém ler aqueles capítulos e não se identificar com uma série de passagens, relatos e características neles descritas. São ao todo 20 empreendedores, com origens, caminhos e características muito
distintas. Quem não se reconhece, por exemplo, nas palavras do falecido Ângelo Salton Neto, ex-presidente da Vinícola Salton, que expressou claramente o desejo de ver na família a continuidade de seus negócios? Ou com as palavras de Michael Klein, filho do mestre do
varejo Samuel Klein (fundador da Casas Bahia), falando da importância de reconhecer e incorporar os bons hábitos daqueles que nos cercam? Ou ainda com o depoimento bem- humorado de Lírio Parisotto, fundador da Videolar e amante dos vinhos, dizendo que em sua opinião é bem mais fácil ganhar dinheiro do que manter o peso?

Quais as intenções da obra?

O livro mostra exemplos  concretos da capacidade do ser humano de lutar, crescer, se renovar, evoluir e construir algo que faça diferença. A obra também destaca o importante papel das virtudes nesse processo, apontando a ética, a determinação, a disciplina e várias
outras qualidades como aliadas nas trajetórias pessoais e profissionais. Por fim, pelos retornos que tenho tido dos leitores, percebo que, de acordo com suas características pessoais, cada um encontra lições muito particulares, identificações que acabam
direcionando sua atenção a determinadas passagens, de acordo com sua própria história ou momento de vida.

 

Poderíamos dizer que o livro tem um caráter de autoajuda?

Eu não o definiria como um livro de autoajuda e nem foi este meu objetivo ao escrevê-lo. De todo modo, a partir do momento em que as histórias são realmente inspiradoras, pode acontecer, sim, de alguns leitores se contagiarem com o entusiasmo e a capacidade de realização dos empreendedores citados – e isso, sem dúvida, pode acabar influenciando suas vidas de alguma forma.

Quais  os foram os critérios para definir os protagonistas?

A seleção dos empreendedores aconteceu com base em muita pesquisa, feita especialmente em jornais e revistas relacionadas a negócios e empreendedorismo. Eu buscava pessoas com trajetórias profissionais marcadas por conquistas em empresas próprias ou de terceiros. Após
esse primeiro levantamento, eu me aprofundava na história dos personagens com quem me deparava, dessa vez atentando não apenas para seu negócio, mas para as atitudes e valores que haviam norteado suas conquistas. Mais do que histórias de conquistas profissionais, eu
queria revelar trajetórias de sucesso que tivessem significativas virtudes como principal alicerce.

Foi difícil limitá-los em 20? Teve gente que você gostaria de acrescentar, mas teve de deixar de fora? Quem e por quê?

A quantidade de empreendedores admiráveis e respeitáveis no Brasil é enorme. Eu me ative a médios e grandes empreendedores e, claro, haveria muitos outros nomes dignos de comporem esta equipe. Mas confesso que me dei por satisfeita quando cheguei aos 20 nomes. Esse número permitiu que tivéssemos uma importante diversificação, sem que a obra se prolongasse demais.

Como foi o processo de apuração das histórias de cada um desses protagonistas?

Primeiramente, fiz uma extensa pesquisa em livros, jornais, sites e revistas especializadas. Em seguida, realizei pessoalmente longas entrevistas com cada um dos entrevistados – o material foi finalmente transcrito e os capítulos enfim redigidos. Foram ao todo dois anos de trabalho.

Qual ou quais destas histórias foi a mais difícil?

Uma história que me comoveu demais foi a de Ângelo Salton Neto. Meses depois de me conceder a entrevista, ele teve um infarto e faleceu, aos 56 anos de idade. Havia 28 anos que ele presidia a Vinícola Salton. Na ocasião em que assumiu a empresa, ela estava cheia de dívidas e de problemas internos. Pois Ângelo Salton Neto deu uma verdadeira reviravolta no negócio e, com a verba que faturava com o Conhaque Presidente, sanou anos de impostos atrasados e conseguiu erguer uma vinícola totalmente automatizada. Investiu na qualidade dos vinhos,
conquistou reconhecimento internacional e importantes posições no mercado brasileiro de vinhos, especialmente espumantes. Figura extremamente simples e carismática, afirmou, em entrevista, ser um homem totalmente feliz e realizado com a família e com o trabalho. Antes do lançamento, veio o falecimento. Na época, eu já conhecia uma das filhas dele. Depois conheci a esposa e os outros filhos. Foi tudo muito comovente.

E a história mais fácil? Alguma foi especialmente divertida?

Eu não falaria de uma história mais fácil e divertida, mas, durante o processo de realização das entrevistas, eu me diverti demais construindo paralelos entre os entrevistados. Se um afirmava que jamais voltaria a pegar um centavo emprestado dos bancos, havia outro que garantia ter sido salvo pelos bancos em determinado momento da empresa. Uns tinham relações parecidas com os livros, havia aqueles com dificuldade de delegar e os outros que fizeram isso naturalmente desde o início. Me encantava identificar tantos os traços comuns quanto os diametralmente opostos. Eu me divertia em silêncio construindo paralelos.

 

Qual a história que costuma chamar mais a atenção do leitor?

Uma das histórias que mais chama a atenção dos leitores é a de Elói D´Ávila de Oliveira. Nascido em Esteio, no Rio Grande do Sul, ele era filho de andarilho e com apenas 1 ano de idade ficou órfão de mãe. Ainda pequeno, passou a viver com uma irmã mais velha, mas apanhava do cunhado com tamanha frequência, que, aos 8 anos, decidiu fugir de casa. Ele foi para São Paulo, depois para o Rio de Janeiro. Viveu nas ruas, sustentou-se como pôde e, aos 12 anos, começou a trabalhar na Stella Barros Turismo. Elói Oliveira permaneceu nesse ramo a vida toda e hoje é dono da maior emissora de bilhetes aéreos da América Latina, a Flytour, criada por ele mesmo.

E você, tem alguma história preferida? Por quê?

Gostei demais de todos os personagens e histórias. Luiz Sebastião Sandoval, presidente do Grupo Silvio Santos, por exemplo, é filho de analfabetos e comprou a primeira casa da família aos 15 anos de idade. Lirio Parisotto, sócio-fundador da Videolar, é descendente de
italianos, nasceu na roça (em Nova Bassano-RS) e diante das poucas perspectivas que tinha em sua cidade natal, ingressou no seminário aos 13 anos, disposto a estudar e a evoluir. Outra história que me impressionou demais foi a de Ozires Silva. Ele tinha o sonho menino de fazer aviões. Tornou-se piloto da Força Aérea Brasileira (FAB), depois da criação do ITA cursou Engenharia Aeronáutica e, com a ajuda de alguns amigos, foi capaz de criar do zero o protótipo de um avião, utilizando peças de unidades de reposição da FAB, motores doados e mão de obra emprestada do Centro Tecnológico da Aeronáutica (CTA). Ao protótipo, seguiram-se inúmeras conversas com empresários, apresentações e tentativas de levantamento de verba, até ele finalmente conseguir a criação da  Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer). Tudo feito com tamanha paixão e empenho. Difícil resumir em poucas palavras.

SERVIÇO:

Mais informações sobre o livro e sobre a autora, no site www.parasergrande.com.br

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