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Economia

Entidades reagem à aprovação do fim da jornada 6×1

Centrais sindicais celebram a medida como conquista histórica, enquanto entidades empresariais alertam para custos, produtividade e segurança jurídica.

Redação Jornal de Brasília

28/05/2026 16h00

escala 6x1

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

A aprovação, pela Câmara dos Deputados, do fim da jornada 6×1 provocou reações opostas entre representantes de trabalhadores e do setor empresarial. Enquanto centrais sindicais e entidades ligadas à agricultura familiar comemoraram a decisão, organizações patronais criticaram a proposta e apontaram riscos para custos, produtividade e segurança jurídica.

A Central Única dos Trabalhadores (CUT) classificou a medida como uma “vitória histórica da classe trabalhadora” e afirmou que o resultado atende a uma das principais reivindicações do movimento sindical nas últimas décadas. Em nota, a entidade disse que a aprovação foi resultado da mobilização das centrais, da pressão de movimentos sociais e da negociação direta com parlamentares, além de convocar os trabalhadores a manterem a mobilização para pressionar o Senado.

A Força Sindical, a União Geral dos Trabalhadores (UGT) e a CUT também divulgaram nota conjunta celebrando a aprovação como uma “vitória” e agradecendo o apoio do governo federal. As entidades afirmaram que a mudança abre um horizonte de adaptação para os setores econômicos e pode melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, com mais tempo para família, saúde e lazer. Elas defenderam ainda a continuidade da mobilização para garantir a aprovação no Senado.

A presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag), Vania Marques, disse que a aprovação da PEC é o reconhecimento de que “ninguém deve viver apenas para trabalhar”. Segundo ela, a redução da jornada sem perda salarial representa respeito a quem “produz e sustenta o país” e só chegou até aqui por causa da mobilização popular, da pressão sindical e da atuação de movimentos sociais. A dirigente também afirmou que o Senado precisa confirmar esse avanço.

Do outro lado, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) avaliou a proposta como “inadequada e inoportuna”. A entidade argumentou que uma eventual redução da jornada, sem transição adequada e sem ganho equivalente de produtividade, tende a elevar custos e pressionar preços de produtos e serviços. A CNI defendeu que o tema seja analisado com equilíbrio, responsabilidade e base técnica, e que mudanças desse tipo sejam tratadas por negociação coletiva, preservando a segurança jurídica, a competitividade e a capacidade de adaptação das empresas.

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) também criticou a votação, dizendo que ela foi movida por interesses eleitorais e representou um “grave retrocesso” por anular décadas de acordos e convenções coletivas. A entidade afirmou ainda que a medida afronta a Constituição e fere o princípio da segurança jurídica, defendendo a liberdade de negociação entre patrões e empregados.

No setor agropecuário, a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) rejeitou a aprovação da proposta e estimou que, se promulgada, a medida poderá gerar custo adicional de R$ 4,1 bilhões ao agronegócio paranaense, em salários e encargos para cobrir demandas operacionais. A entidade afirmou que a mudança foi discutida sem a participação dos setores produtivos e sustentou que, em determinadas atividades, a jornada reduzida exigirá pagamento de horas extras ou contratação de mais trabalhadores. A Faep também criticou o prazo de transição e disse que a proposta pode comprometer a competitividade do agro e o desempenho econômico.

*Com informações da Agência Brasil

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