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Economia

Entenda por que as bets ficam com a maior parte do dinheiro das apostas no longo prazo

Para especialistas, as estatísticas estão a favor da banca, e, do ponto de vista do apostador, jogar é sempre um gasto e não um investimento

Redação Jornal de Brasília

07/06/2026 10h54

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Foto: Reprodução

PEDRO S. TEIXEIRA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

O modelo do mercado de bets é sustentado por cálculos estatíticos que definem o valor dos prêmios e desenhado para garantir que, na média de milhares de palpites, o valor total arrecadado com as apostas perdedoras supere o que foi pago aos palpites vencedores.

Embora os sites de apostas anunciem que cerca de 93% do valor apostado volte, em média, ao conjunto de jogadores, apostadores compulsivos tendem a perder tudo. Para especialistas, as estatísticas estão a favor da banca, e, do ponto de vista do apostador, jogar é sempre um gasto e não um investimento.

A porcentagem do que volta aos apostadores é chamada, no jargão, de retorno ao jogador (RTP em inglês). Embora 93% pareça um número alto, não é bom para o apostador, pois significa pagar uma taxa implícita de 7%, caso se adotem os números divulgados pela entidade patronal IBJR (Instituto Brasileiro de Jogo Responsável). Na análise do Banco Central, o RTP é de 85%, o que eleva essa fatia das empresas para 15%.

Por esse modelo, a sorte está a favor das bancas e, se os apostadores continuarem jogando aquilo que receberem como prêmio, a tendência é que a bet abocanhe uma parcela do bolo a cada rodada.

Como se trata de uma projeção estatística, pode haver mudanças, mas o modelo de negócio das bets prospera porque elas costumam acertar as contas, dizem estatísticos consultados pela reportagem.

Além dos números, é preciso considerar que o jogador não tem dinheiro para apostar infinitamente. “Quando ele perde tudo, acabou”, resume Marcelo Viana, diretor-geral do Impa (Instituto de Matemática Pura e Aplicada).

“Já as bets podem esperar a contagem de apostas subir”, diz. Quanto mais jogos houver, mais os resultados vão se aproximar da média estimada, de 93%. Esse é um princípio fundamental da estatística —a lei dos grandes números.

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