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Economia

Engenharia social responde por 40% das fraudes financeiras no Brasil

Levantamento da Quod mostra avanço de golpes que exploram confiança e urgência, com o celular e o Pix como principais vetores

Redação Jornal de Brasília

22/08/2026 11h59

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Foto: José Cruz/Agência Brasil/Arquivo

Golpes baseados em engenharia social já respondem por 40% dos indícios de fraudes financeiras registrados no Brasil, segundo pesquisa da Quod. A estratégia inclui falsos call centers, criminosos que se passam por funcionários de bancos e até falsas operações policiais para convencer vítimas a fornecer dados ou realizar transferências.

De acordo com o levantamento, no primeiro semestre de 2026 foram registrados mais de 9 milhões de indícios de fraude, entre casos suspeitos e confirmados, alta de 10,26% em relação ao segundo semestre de 2025. A engenharia social respondeu por mais de 3,6 milhões dessas ocorrências.

A pesquisa aponta ainda que o celular foi o principal canal usado nos golpes, presente em 78% dos casos, enquanto o Pix aparece como meio de movimentação em 85% das ocorrências. Os dados mostram também que jovens entre 18 e 34 anos representam 49,06% das vítimas, e pessoas que recebem até dois salários mínimos correspondem a 58% dos atingidos.

Segundo a Quod, a engenharia social explora a confiança e as emoções da vítima, em vez de depender de invasão aos sistemas bancários. Os criminosos criam situações de urgência, medo ou falsa autoridade para induzir decisões rápidas. Em um falso call center, por exemplo, o golpista afirma ter identificado uma transação suspeita e orienta a vítima a realizar procedimentos para supostamente proteger a conta. Em falsas operações policiais, a abordagem usa a autoridade para intimidar o alvo e exigir movimentações financeiras.

Os ataques também podem combinar ligações, WhatsApp, SMS e e-mails durante dias ou semanas antes da tentativa de transferência. A inteligência artificial tornou as abordagens ainda mais convincentes, com clonagem de voz, imagens e documentos falsificados.

O combate às fraudes ganhou novos mecanismos em 2026. A Resolução 501 do Banco Central ampliou o compartilhamento de informações sobre indícios de fraude entre instituições financeiras, enquanto o Registro Unificado de Fraudes (Rufra) concentra dados para identificar padrões e apoiar ações preventivas. As instituições também utilizam inteligência artificial e biometria comportamental para analisar fatores como dispositivo, horário, localização e histórico de transações.

Para José Oliveira, diretor de Tecnologia da Certta, a engenharia social atinge uma camada diferente da segurança tradicional. Ele afirma que a prevenção precisa acontecer antes do prejuízo e defende o uso de tecnologia para reconhecer sinais e antecipar riscos.

O levantamento da Certta e da Nexus mostrou ainda que apenas 11% das menções relacionadas a golpes e fraudes digitais nas redes tratam de prevenção. Segundo Oliveira, o debate público é dominado por denúncias e buscas por socorro depois que o prejuízo já aconteceu.

Entre as orientações para evitar golpes estão desconfiar de abordagens urgentes, confirmar informações por canais oficiais, não compartilhar senhas ou códigos, conferir destinatário e valor antes de transferir via Pix, evitar links suspeitos e não emprestar a conta para receber valores de terceiros. A recomendação é também manter autenticação multifator ativada nas contas.

Estadão Conteúdo

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