O enfraquecimento da economia dos Estados Unidos afetará a América Latina, this site que crescerá 4,3% em 2008, abaixo dos 5% esperados para este ano e dos 5,5% de 2006, segundo afirmou hoje o Fundo Monetário Internacional (FMI).
“A atividade na América Latina será moderada (…), embora alguns fundamentos mais sólidos devam limitar o impacto das turbulências nos mercados”, afirmou hoje Simon Johnson, economista-chefe do FMI durante a apresentação do relatório semestral “Perspectivas Econômicas Mundiais”.
Segundo o FMI, apesar de um crescimento menor, a expansão latino-americana atual é a mais prolongada desde a década de 1960, o que reduziu a vulnerabilidade externa da região.
O organismo encorajou os governantes a aproveitar a atual situação positiva para abordar reformas que impulsionem o crescimento de investimentos e da produtividade.
O FMI lembrou que a ineficiência do setor público, a infra-estrutura precária e os altos níveis de desigualdade estão entre os fatores que impedem o crescimento econômico.
Os economistas do Fundo afirmaram que, além da desaceleração americana, que atingirá principalmente o México e a América Central, a América Latina também será afetada por fluxos menores de remessas e pelo fim do “boom” da construção hoteleira no Caribe.
Os países produtores de matérias-primas como Argentina, Colômbia, Peru, Uruguai e Venezuela terão que se preparar para tempos mais difíceis, já que os problemas com a oferta impedirão a continuidade das altas taxas de crescimento de 2006.
A Venezuela passará de um crescimento de 10,3%, em 2006, para 6% em 2008. Na Argentina, a taxa cairá de 8,5% para 5,5%.
A possibilidade de que a instabilidade nos mercados globais atinja a região de forma mais severa está entre os fatores que podem piorar o atual marco macroeconômico.
O FMI afirma que, até agora, esse contágio foi “relativamente benéfico” devido ao fortalecimento das políticas macroeconômicas e a algumas contas públicas mais saneadas que mantiveram a confiança dos consumidores.
Mesmo assim, não se pode parar de se preocupar com a economia, já que um enfraquecimento maior que o esperado nos EUA reduziria a demanda das exportações latino-americanas.
México e América Central seriam os mais prejudicados por este cenário, já que têm vínculos comerciais estreitos com os Estados Unidos.
A América do Sul também seria afetada negativamente por uma queda nos preços de alimentos, metais, e energia, o que pode ocorrer se a demanda global desacelerar, afirmou o FMI.
O organismo multilateral destacou a valorização dos ativos e a expansão do crédito, fruto do aumento nos fluxos de capitais.
Segundo o Fundo, podem ser necessárias algumas medidas para frear a demanda doméstica e responder a temores de aquecimento econômico.
O FMI acha que a gestão dos fluxos estrangeiros de capital é “um desafio macroeconômico chave” para os políticos latino-americanos.
Segundo as previsões, a região continuará recebendo fluxos de capital consideráveis. O FMI não descarta, no entanto, a possibilidade de um aumento da volatilidade.
O Fundo também destaca a existência de taxas de câmbio mais flexíveis do que no passado, além da alta significativa das divisas de diferentes países – entre eles Brasil, Colômbia, Paraguai e Peru – como resultado da entrada de capital externo.
A Argentina é uma das exceções, já que o peso oscilou em uma margem estreita, devido às intervenções do Banco Central argentino, assim como a Venezuela, onde a taxa de câmbio permaneceu fixa durante os dois últimos anos.
O FMI disse que a inflação está em alta na Argentina, e é “uma preocupação séria”, e por isso aconselhou o país a controlar o gasto fiscal e aumentar as taxas de juros.
Além disso, afirmou que as medidas adotadas pelo Governo argentino para limitar a alta de preços poderiam piorar o clima de negócios e aguçar os limites da capacidade produtiva do país.