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Economia

Empresas disputaram o filé mignon da logística, e osso ficou com os Correios, diz Haddad

A fala do ministro ocorre apesar da crise que a empresa pública enfrenta, com prejuízo acumulado de R$ 6,1 bilhões até setembro deste ano

Redação Jornal de Brasília

10/12/2025 11h26

Foto: Pablo Porciuncula/AFP

Foto: Pablo Porciuncula/AFP

LUANY GALDEANO
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, rebateu nesta quarta-feira (10) a ideia de privatizar os Correios e defendeu a manutenção da estatal como uma empresa pública para universalizar o serviço postal.

A fala do ministro ocorre apesar da crise que a empresa pública enfrenta, com prejuízo acumulado de R$ 6,1 bilhões até setembro deste ano. Os Correios têm se articulado para conseguir um empréstimo e salvar as contas da companhia.

“O mundo inteiro encontrou uma equação para viabilizar o serviço postal universal sem privatizar. As empresas disputaram o filé mignon da logística, e o osso ficou com os Correios, que é universalização a baixo custo. Mas teve um arranjo para permitir que um correio público entregasse um serviço postal com modicidade tarifária e universal”, declarou o ministro a jornalistas.

Segundo Haddad, em outros países, foram pensadas soluções para manter a universalização do serviço com custo reduzido, incluindo agregar outros produtos de natureza financeira, além de mudanças na questão previdenciária e de seguros, pontos que estão sendo explorados no plano de reestruturação da empresa.

A despesa com pessoal é um dos pontos que mais pressiona os gastos da companhia, como mostrou a Folha de S.Paulo, com gastos que devem alcançar R$ 15,1 bilhões este ano.

Haddad disse ainda que um possível aporte nos Correios ocorreria dentro do arcabouço fiscal. De acordo com o ministro, há margem para que isso aconteça neste ano, mas não está no radar da equipe econômica do governo no momento, uma vez que as negociações para o empréstimo à estatal tem avançado.

“O que a gente quer é o aval do Tesouro [Nacional] mediante um plano de reestruturação sério. Não queremos ter de novo uma surpresa.”

Como mostrou a Folha de S.Paulo, o Tesouro rejeitou dar a garantia no empréstimo de R$ 20 bilhões que os Correios pretendiam tomar com cinco bancos (incluindo o Banco do Brasil), por considerar os juros elevados para uma operação com garantia soberana. A decisão do Tesouro que suspendeu a transação.

Depois, o governo acionou a Caixa Econômica Federal para destravar o empréstimo.

Na segunda-feira (8), o ministro Haddad disse que havia espaço no Orçamento para um aporte nos Correios, mas que ainda não existia uma decisão do Executivo sobre valores e se a operação de fato ocorrerá.

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